Vale Tudo
Sandra Sá
1983

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1983, Vale Tudo se consolidou como um dos álbuns essenciais do boogie-funk brasileiro daquela década, sendo frequentemente aclamado como a obra-prima de Sandra Sá. O disco mergulha profundamente na sonoridade marcante do boogie e funk nacional dos anos 80, apresentando uma fusão vibrante de ritmos que definiram a época. A voz poderosa e o carisma de Sandra Sá se entrelaçam perfeitamente com os arranjos sofisticados, criando uma experiência auditiva contagiante e cheia de suingue. A produção primorosa e a participação de um time estelar de músicos e produtores elevam Vale Tudo a um patamar de excelência, tornando-o um clássico incontestável para os amantes da música black brasileira. O álbum não apenas solidificou a posição de Sandra Sá como uma das maiores artistas do gênero, mas também representou um momento crucial na evolução do som da MPB com influências do soul e funk internacional, mantendo, contudo, uma identidade inegavelmente brasileira.
Contexto
A trajetória musical de Sandra Sá teve início no final dos anos 1970, e ela já havia lançado seus dois primeiros álbuns de estúdio em 1980 e 1982, que contaram com sucessos como "Demônio Colorido" e "Olhos Coloridos", tornando-se clássicos instantâneos na música brasileira. Ela emergiu como uma das vozes mais expressivas do movimento soul nacional, seguindo os passos de pioneiros como Cassiano e Luiz Melodia. O período do início dos anos 80 foi particularmente fértil e produtivo para Sandra Sá, marcando uma fase ascendente em sua carreira. Vale Tudo, seu terceiro trabalho, chegou em um momento em que a artista já havia conquistado reconhecimento, mas ainda buscava consolidar uma sonoridade que a distinguisse, o que foi alcançado com maestria neste disco.
Gravação
Vale Tudo foi concebido com a colaboração de um verdadeiro "dream team" de músicos e produtores, que foram fundamentais para a sonoridade distintiva do álbum. Lincoln Olivetti, uma figura central na arquitetura do som boogie e funk brasileiro da época, teve um papel crucial nos arranjos, na escrita e na execução musical de diversas faixas. Além de Olivetti, o disco contou com a destreza de talentos como Robson Jorge, Serginho Trombone, Oberdan Magalhães, Claudio Stevenson, Jamil Joanes (reconhecido por seu trabalho com a Banda Black Rio) e Junior Mendes. A Banda Vitória Régia atuou como banda de apoio, e os arranjos foram divididos entre vários nomes, incluindo o próprio Tim Maia na faixa-título, Serginho Trombone em "Trem da Central" e Lincoln Olivetti em faixas como "Candura" e "Pela Cidade".
Músicas
O repertório de Vale Tudo apresenta uma coleção de canções que transitam entre o funk e o boogie mais dançantes e baladas comoventes. A faixa-título "Vale Tudo", um dueto enérgico e rápido, foi escrita por Tim Maia e contou com a participação especial do próprio, sendo composta especificamente para ser interpretada pelos dois ícones da música brasileira. Outras faixas se destacam, como a abertura "Trem da Central", uma composição de Macau, Durval Ferreira e Sandra de Sá, que oferece um "groove infeccioso" e se tornou uma "jam essencial para a pista de dança". "Candura" é notável por seu boogie-funk cativante, enquanto "Pela Cidade" evoca comparações com o som do Earth, Wind & Fire, evidenciando a influência do R&B americano na sonoridade do álbum. O álbum também inclui composições de grandes nomes como Cassiano, Guilherme Arantes e a própria Sandra Sá, resultando em uma obra equilibrada e rica em nuances musicais.
Legado
Vale Tudo é amplamente reconhecido como um dos discos mais importantes da carreira de Sandra Sá e um marco do boogie-funk no Brasil. A faixa-título, em dueto com Tim Maia, alcançou grande sucesso, figurando na posição 28 entre as 100 músicas mais tocadas de 1983. A relevância do álbum é tal que tem sido comparado a outras obras seminais do gênero, como o trabalho homônimo de Robson Jorge & Lincoln Olivetti de 1982 e o álbum de Marcos Valle de 1983, que inclui a canção "Estrelar". Sua constante redescoberta no mercado internacional e as reedições por selos como Mr Bongo atestam seu apelo duradouro e seu status de clássico para colecionadores e amantes da música black mundial.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Claudio Stevenson, Lincoln Olivetti, Oberdan Magalhães, Reinaldo Arias, Serginho Do Trombone, Tim Maia
Esdras
Durval Ferreira
Banda Vitória Régia
Fernando Souza, Jamil Joanes
Tim Maia
Abóbora, Gastão Lamounier, Junior Mendes, Robson Jorge, Rose Marinho
Mamão, Serginho
Paulinho Braga
Claudio Stevenson
Robson Jorge
Lincoln Olivetti, Reinaldo Arias
Pi
Serginho Do Trombone
Ohana, Sidinho Moreira
Macau
Leo Gandelman, Oberdan Magalhães, Zé Carlos
Barrozinho, Bidinho, Marcio Montarroyos, Paulinho Martins
Andy Mills, Felipe Nery
Guta
Sandra De Sá
Ivan Klingen
