Éter
Scalene
2015

Porque Merece Estar na Lista
Éter, o segundo álbum de estúdio da banda brasiliense Scalene, lançado em 2015, representa um marco significativo no rock nacional contemporâneo. Inicialmente divulgado de forma independente e posteriormente reeditado pelo selo SLAP da Som Livre, este trabalho solidificou a identidade do grupo, mesclando influências diversas para criar uma sonoridade robusta e profundamente introspectiva. O álbum é um caldeirão onde convergem o stoner rock, o metal alternativo e elementos do rock alternativo dos anos 90, resultando em uma experiência sonora intensa e densa. Com suas letras poéticas e repletas de angústias existenciais, Éter se destaca pela capacidade de transportar o ouvinte para um universo particular, onde riffs marcantes e melodias cativantes se entrelaçam. A obra demonstra uma notável evolução e maturidade da Scalene, que soube incorporar referências de bandas como Queens of the Stone Age, Deftones, Muse e até Radiohead, sem perder sua voz autêntica. A performance vocal singular de Gustavo Bertoni e a ousadia da banda em explorar diferentes texturas e dinâmicas musicais tornam Éter uma audição essencial para quem busca profundidade e intensidade no rock brasileiro.
Contexto
Formada em Brasília em 2009, a Scalene já havia construído uma base sólida de fãs e acumulado experiência em palcos de grandes festivais, como Lollapalooza Brasil e SXSW, com seu álbum de estreia, Real/Surreal, de 2013. No entanto, foi a participação no reality show musical SuperStar, da TV Globo, em 2015, que catapultou a banda para o reconhecimento nacional. A visibilidade obtida no programa, onde a Scalene recebeu elogios da crítica e bateu recordes de votação do público, gerou uma enorme expectativa em torno de Éter, que se tornou um dos lançamentos mais aguardados do rock nacional. Nesse período, o rock brasileiro mainstream carecia de novos nomes de destaque, enquanto o underground fervilhava com bandas promissoras. A Scalene, com sua credibilidade e talento inegáveis, surgiu como uma das poucas capazes de transitar entre esses mundos, agradando tanto o público mais exigente do rock pesado quanto uma audiência mais ampla, sem comprometer sua essência. O lançamento de Éter, portanto, não apenas marcou um ponto alto na carreira da banda, mas também representou um momento crucial para o rock feito no Brasil.
Gravação
A produção de Éter foi um esforço colaborativo, com a própria banda Scalene participando ativamente ao lado de Diego Marx e Lampadinha. Este arranjo garantiu que a sonoridade final refletisse a visão artística do quarteto, permitindo a experimentação e a integração de suas diversas influências. O processo de gravação resultou em doze faixas que totalizam pouco mais de quarenta minutos de música. A fase de pós-produção contou com o trabalho de Ricardo Ponte, responsável pela mixagem e masterização do álbum, assegurando a qualidade sonora e a coesão do material. Paulo Lira atuou como operador de áudio, contribuindo para a captação das performances que compõem o disco. Essa equipe multifacetada foi fundamental para traduzir a intensidade e a complexidade das composições da Scalene em um produto final polido e impactante.
Músicas
Éter apresenta doze composições originais que exploram temas como limites pessoais, destino, existência e tormentos internos, traduzidos em letras poéticas e carregadas de simbolismo. A faixa de abertura, "Sublimação", é um poderoso convite ao universo da banda, com melodias profundas e a fusão do peso instrumental com arranjos delicados. Em "O Peso da Pena", a banda entrega uma sonoridade mais densa, enquanto "Histeria" se destaca pela brutalidade e pelas letras impactantes, evocando uma sensação de perda de controle e questionando os próprios limites. Outros destaques incluem "Fogo", que incorpora influências grunge com o contraste entre violões e guitarras pesadas, e "Furacão", que surpreende pela beleza e pela ausência de guitarras distorcidas, demonstrando a versatilidade da banda. A canção "Terra" inicia com uma ambientação que remete ao rock nacional dos anos 80 e 90, culminando em uma explosão sonora e contando com a participação de Mauro Henrique, do Oficina G3. O álbum encerra com a grandiosa e sombria "Loucure-se", que faz uso de arranjos de cordas e uma profusão de guitarras para criar um clima teatral e temático, solidificando a jornada sonora e emocional proposta por Éter.
Legado
Éter não apenas consolidou a Scalene como um dos principais nomes do rock brasileiro, mas também alcançou reconhecimento internacional de prestígio. Em 2016, o álbum foi agraciado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa, um feito que a banda dividiu com o álbum Derivacivilização, de Ian Ramil. Este prêmio sublinhou a qualidade e a relevância da obra, destacando-a no cenário musical ibero-americano. A recepção crítica foi amplamente positiva, com muitos considerando Éter um forte candidato a melhor disco nacional de 2015 e até mesmo uma "pequena obra-prima". A exposição nacional massiva, impulsionada pela participação no programa SuperStar, amplificou o alcance do álbum e da banda, abrindo caminho para que o rock alternativo voltasse a ter visibilidade em grandes mídias. O relançamento por um selo fonográfico da Som Livre também atestou a crescente demanda pelo trabalho da Scalene, que se tornou um pilar para a revitalização do rock contemporâneo no Brasil.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Diego Marx, Lampadinha, Scalene
Gustavo Bertoni, Tomás Bertoni
Gustavo Bertoni, Philipe Nogueira, Tomás Bertoni
Lucas Furtado
Philipe Nogueira
Gustavo Bertoni, Tomás Bertoni
Ricardo Ponte
Lucas Lima
William Carvalho
Ricardo Ponte
Paulo Lira
Frederico Félix
