Arise

Sepultura

1991

Capa de Arise
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1991, Arise é o quarto álbum de estúdio da banda brasileira Sepultura e marca uma fase crucial na evolução de seu som. Embora mantenha o estilo death/thrash metal de seu predecessor, Beneath the Remains, o álbum se destaca por uma clara inclinação experimental, incorporando elementos de música industrial, hardcore punk e percussão latina, que se tornariam marcas registradas da banda. Com Arise, o Sepultura demonstrou uma sonoridade mais cadenciada, com o baterista Igor Cavalera explorando ritmos carregados de groove. Discretos toques de música industrial são perceptíveis através do uso de samples e efeitos sonoros, evidenciando influências de bandas como Einstürzende Neubauten, The Young Gods e Ministry. Essa fusão de gêneros e a ousadia em experimentar consolidaram Arise como uma obra fundamental e amplamente considerada por muitos fãs como o melhor trabalho do grupo.

Contexto

Após a gravação de Arise, o Sepultura embarcou em uma extensa turnê mundial, a maior até então para a banda. No entanto, o período de promoção foi marcado por incidentes significativos no Brasil que moldaram a percepção pública do rock e da própria banda. Em maio de 1991, um concerto em São Paulo, na Praça Charles Miller, atraiu uma multidão de 30.000 pessoas, muito acima da expectativa policial, resultando em feridos e prisões, e culminando na morte de uma pessoa a tiros. Este evento, somado a outro incidente fatal em um show dos Ramones uma semana antes, gerou uma enorme repercussão na mídia, criando um forte sentimento anti-rock em todo o país.

Gravação

A gravação de Arise ocorreu em agosto de 1990, quando a banda viajou para a Flórida. Scott Burns retomou seu papel como produtor e engenheiro de som, desta vez trabalhando com a vantagem de estar no Morrisound, um estúdio conhecido e bem equipado para o estilo musical do Sepultura. A Roadrunner Records disponibilizou um orçamento de $40.000, o que permitiu uma produção de alto nível. Esse investimento se refletiu, por exemplo, na dedicação de uma semana inteira de trabalho entre Iggor Cavalera e Burns para testar afinações e microfonação do kit de bateria, garantindo a qualidade sonora desejada para o álbum.

Músicas

Arise apresentou o surgimento da percussão latina e da bateria “tribal” que posteriormente caracterizariam a banda, notavelmente na canção "Altered State". A antiga paixão do Sepultura pelo hardcore punk também se manifesta de forma proeminente em faixas como "Subtraction" e "Desperate Cry". Três singles foram extraídos do álbum: "Arise", "Dead Embryonic Cells" e "Under Siege (Regnum Irae)". O videoclipe de "Arise", filmado no Death Valley, mostrava a banda tocando em um cenário apocalíptico e imagens de uma figura semelhante a Cristo usando uma máscara de gás, o que levou ao seu banimento da MTV América. Em contraste, o vídeo de "Dead Embryonic Cells" alcançou ampla rotação na MTV, ajudando a banda a conquistar novos públicos e, posteriormente, a canção foi incluída na estação de rádio Liberty City Hardcore do jogo Grand Theft Auto IV: The Lost and Damned, com Max Cavalera como DJ.

Legado

No momento de seu lançamento, Arise recebeu aclamação generalizada, com a imprensa brasileira e internacional elogiando a evolução e a habilidade composicional da banda. Revistas como Hard Rock, Kerrang! e Metal Forces publicaram críticas positivas, enquanto grandes periódicos britânicos como Melody Maker e NME dedicaram artigos extensos ao grupo, com um jornalista do Melody Maker até sugerindo que o Sepultura poderia se tornar maior que seus rivais, Slayer. Comercialmente, Arise foi um sucesso, sendo o primeiro álbum do Sepultura a figurar nas tabelas da Billboard, alcançando a posição 119. Também foi o primeiro a receber certificação, conquistando disco de ouro na Indonésia em 1992 e, em 1993, já havia vendido mais de 1 milhão de unidades mundialmente. Em 2001, obteve certificação de prata no Reino Unido. Ao longo dos anos, o álbum continuou a ser reverenciado, com a revista Q o descrevendo como “a sua marca de água de thrash” e Eduardo Rivadavia, do AllMusic, chamando-o de “um clássico do death metal” que envelheceu surpreendentemente bem. Dan Marsicano, do About.com, o elegeu como o "magnum opus" da banda. Além disso, Arise foi incluído em prestigiados livros como 1001 Albums You Must Hear Before I Die e Top 500 Heavy Metal Albums of All Time.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção

Scott Burns, Sepultura

Composição

Sepultura

Música

Andreas Kisser, Igor Cavalera, Max Cavalera, Paulo Jr.

Vocais, Guitarra Base

Max Cavalera

Baixo

Paulo Jr.

Booking [Europe]

John Jackson

Booking [U. S.]

Jeff Allen

Bateria

Igor Cavalera

Effects [Sound Effects]

Kent Smith

Guitarra Solo

Andreas Kisser

Sintetizador

Henrique Portugal

Translated By [Lyrical Assistance And Translation]

Fletcher McLean, Scott Burns

Engenheiro de Som [Assistant]

Fletcher McLean

Engenheiro de Som [Mix Assistant]

Steve Sisco

Engenheiro de Som, Gravação

Scott Burns

Masterização

Howie Weinberg

Mixagem

Andy Wallace

Direção de Arte

Patricia Mooney

Ilustração [Cover]

Michael R. Whelan

Gerenciamento

Gloria Bujnowski

Fotografia [Cover Photos]

Tim Hubbard

Referências

Livros