Beneath the Remains

Sepultura

1989

Capa de Beneath the Remains
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Beneath the Remains, o terceiro álbum do Sepultura, lançado em 1989, é uma obra seminal que marcou um ponto de virada crucial na trajetória da banda e na história do metal extremo. Foi o primeiro lançamento do grupo pela Roadrunner Records, solidificando sua transição de uma banda de obscuridade no "terceiro mundo" para um nome de peso na cena internacional do metal extremo. O álbum é amplamente aclamado por ter sido o momento em que a banda realmente encontrou e refinou seu estilo distintivo, mesclando elementos de thrash e death metal de forma agressiva e tecnicamente impressionante. Com uma produção significativamente aprimorada e composições mais elaboradas em comparação com seus trabalhos anteriores, Beneath the Remains é descrito como um assalto feroz de death/thrash metal. Ele estabeleceu um novo padrão de qualidade para o metal sul-americano, provando que bandas de fora dos centros tradicionais da Europa e América do Norte poderiam produzir álbuns que rivalizavam com os grandes nomes do gênero, sendo comparado a clássicos como Reign in Blood do Slayer e Master of Puppets do Metallica. Sua importância reside não apenas em seu impacto imediato, mas também em como ele pavimentou o caminho para o reconhecimento global do Sepultura e influenciou gerações de músicos do metal.

Contexto

Antes de Beneath the Remains, o Sepultura, formado em Belo Horizonte em 1984, já havia lançado Morbid Visions (1986), com influências de black metal, e Schizophrenia (1987), que marcou a entrada do guitarrista Andreas Kisser e uma mudança para um som mais orientado ao thrash metal. Este último álbum, com sua produção superior, já começava a chamar a atenção internacional. Em fevereiro de 1988, Max Cavalera viajou a Nova Iorque para negociar com a Roadrunner Records, garantindo um contrato de sete álbuns, apesar da incerteza inicial da gravadora sobre o potencial de vendas da banda. O contexto brasileiro da época era desafiador, com o país se recuperando de 21 anos de ditadura militar e enfrentando uma hiperinflação galopante que atingiria quatro dígitos no final de 1989. Lojas de discos tinham dificuldade em importar álbuns de bandas como Kreator ou Slayer, e as alfândegas frequentemente tratavam LPs de heavy metal como contrabando. Apesar das limitações e do isolamento dos grandes centros do metal, a banda perseverou, impulsionada pela crença de que este era o seu momento de fazer um álbum grandioso e decisivo para suas carreiras.

Gravação

A gravação de Beneath the Remains ocorreu na segunda metade de dezembro de 1988, com sessões noturnas intensas das 20h às 5h da manhã, ao longo de quatorze dias. O estúdio escolhido foi o Nas Nuvens Studio, no Rio de Janeiro, o mesmo onde a banda Titãs havia gravado seu influente álbum Cabeça Dinossauro, algo que impressionou o Sepultura. Para a produção, a banda contou com Scott Burns, um engenheiro da Flórida que já havia trabalhado com nomes do death metal como Death, Obituary e Morbid Angel. Burns aceitou a proposta com uma taxa de apenas 2.000 dólares, movido pela curiosidade de conhecer o Brasil. Para garantir a qualidade sonora desejada, Scott Burns trouxe para o Brasil equipamentos de bateria e amplificadores Mesa/Boogie, itens raros para os padrões de produção da época e que fizeram uma diferença significativa no som final do álbum. O orçamento inicial previsto de 8.000 dólares acabou quase dobrando. A arte da capa, um elemento icônico, foi desenvolvida por Michael Whelan, apresentando a pintura Nightmare in Red. Curiosamente, a banda inicialmente desejava outra obra de Whelan, Bloodcurdling Tales of Horror and the Macabre, a ponto de Igor Cavalera ter parte dela tatuada no braço. No entanto, a Roadrunner Records convenceu o Sepultura a usar Nightmare in Red, e a arte inicialmente pretendida foi posteriormente cedida ao Obituary para a capa de seu álbum Cause of Death. Após as gravações no Rio, o álbum foi mixado no Morrisound Studios em Tampa, Flórida, em janeiro de 1989.

Músicas

As letras das canções de Beneath the Remains foram em sua maioria escritas por Andreas Kisser e Max Cavalera, com a notável exceção de "Stronger Than Hate", cuja autoria é de Kelly Shaefer. A música foi composta integralmente pelo Sepultura. O álbum é caracterizado por sua sonoridade rápida, agressiva e pesada, com riffs de guitarra contundentes, batidas thrash intensas e solos selvagens e dissonantes. Os vocais de Max Cavalera são descritos como "primitivos e raivosos", sendo um pilar central da identidade sonora do álbum. A faixa-título, "Beneath the Remains", abre o álbum com um dedilhado acústico que remete a "Call of Ktulu" do Metallica, antes de explodir em uma torrente de thrash em alta velocidade, abordando temas de guerra, morte e destruição. "Inner Self" apresenta um ritmo de "chugging" de andamento médio, simples mas eficaz, impulsionado por um bumbo duplo maciço e partes faladas assombrosas. Esta canção ganhou o primeiro videoclipe da banda, que teve grande rotação no programa Headbangers Ball da MTV. "Mass Hypnosis" é uma faixa extremamente rápida e agressiva, com um ritmo galopante característico do thrash metal, mudanças de tempo e solos "face-melting", explorando liricamente a ideia de delírio coletivo e manipulação governamental. Outras faixas como "Stronger Than Hate" se destacam pelos riffs memoráveis e passagens técnicas, enquanto "Sarcastic Existence" explora temas de doença mental e isolamento com uma seção instrumental estendida.

Legado

Beneath the Remains foi um divisor de águas na carreira do Sepultura e na cena global do metal. Retrospectivamente, é aclamado como um clássico do thrash metal e um dos álbuns mais essenciais de death/thrash metal de todos os tempos. O álbum marcou a ascensão do Sepultura de uma relativa obscuridade para uma posição de destaque no cenário internacional do metal extremo. Seu sucesso comercial incluiu atingir a posição de número 9 nas paradas independentes do Reino Unido. A sua importância é tamanha que é considerado o primeiro álbum de thrash metal de fora da Europa ou América do Norte a ser reconhecido ao lado de obras como Reign in Blood e Master of Puppets. O impacto de Beneath the Remains não se limitou às vendas. O álbum rendeu ao Sepultura sua primeira turnê internacional, abrindo para o Sodom na Europa, e o primeiro show nos Estados Unidos, ao lado de King Diamond. O videoclipe de "Inner Self" recebeu significativa exibição no Headbangers Ball da MTV, expondo a banda a um público norte-americano mais amplo. Em janeiro de 2013, o álbum foi introduzido no Hall da Fama da revista Decibel, tornando o Sepultura a primeira banda a ter dois álbuns nessa lista (sendo Roots o outro). Sua influência é palpável, demonstrando que o Brasil poderia produzir uma banda de metal de calibre internacional e inspirando inúmeros grupos, como o Krisiun, que cita a exposição de "Inner Self" na Headbangers Ball como um fator decisivo para a formação da banda. O álbum também é visto como um "portal" para a música extrema para muitos fãs, solidificando o som da banda e pavimentando o caminho para os sucessos subsequentes como Arise, Chaos A.D. e Roots.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção Executiva

Monte Conner

Produção, Composição [All Music Composed By]

Sepultura

Produção, Engenheiro de Som

Scott Burns

Letra

Andreas Kisser, Kelly Shaefer, Max Cavalera

Vocais, Guitarra Base, Mixagem

Max Cavalera

Baixo

Paulo Jr.

Bateria

Igor Cavalera

Illustration [Nightmare In Red], Capa

Michael R. Whelan

Guitarra Solo

Andreas Kisser

Sintetizador

Henrique

Engenheiro de Som [Assistant Engineer]

Antoine Midani

Corte

Maarten De Boer

Masterização

Mike Fuller

Mixagem

Scott Burns, Tom Morris

Design

Deborah Lauren

Gerenciamento [Managed And Represented By]

Godly Management

Fotografia [Back Cover Photo]

Wesley H. Raffan

Referências