Chaos A.D.
Sepultura
1993

Porque Merece Estar na Lista
Chaos A.D. é um marco inegável na trajetória do Sepultura e na história do heavy metal global. Lançado em 1993, este quinto álbum de estúdio representou uma ruptura corajosa com o som death/thrash metal que a banda havia aperfeiçoado em trabalhos anteriores, como *Beneath the Remains* e *Arise*. Em vez de replicar o sucesso já estabelecido, o grupo abraçou uma sonoridade mais densa e cadenciada, misturando de forma proeminente elementos de groove metal, metal industrial, hardcore punk e até mesmo influências da música tradicional brasileira. Essa fusão de estilos resultou em um álbum de intensidade visceral e relevância social, onde as letras passaram a abordar com maior profundidade questões urgentes como revoltas populares, conflitos territoriais e brutalidade policial. A ambição sonora e temática de Chaos A.D. solidificou o Sepultura não apenas como uma das maiores bandas do metal brasileiro, mas como uma força inovadora capaz de expandir as fronteiras do gênero e dialogar com um público muito mais amplo.

Chaos A.D. representou um ponto de inflexão tanto na carreira do Sepultura quanto no cenário do heavy metal mundial.
José Julio do Espírito Santo · Rolling Stone Brasil
Contexto
Antes de Chaos A.D., o Sepultura já havia conquistado reconhecimento internacional com uma sequência de álbuns que os estabeleceram como uma potência do thrash e death metal. Trabalhos como *Beneath the Remains* (1989) e *Arise* (1991) os catapultaram para a vanguarda da cena extrema, exibindo uma ferocidade técnica e composicional. No entanto, após anos de turnês e aprimoramento de seu som característico, a banda sentiu a necessidade de romper com a estagnação musical e explorar novas direções. A mudança para Phoenix, Arizona, em 1990 e a observação de sua terra natal, o Brasil, a partir de uma nova perspectiva durante as turnês internacionais, influenciaram a banda a direcionar suas letras para questões sociais e políticas mais tangíveis. Este período marcou uma fase de transição e amadurecimento, onde o Sepultura buscou transcender as fronteiras do thrash metal puro para incorporar uma gama mais vasta de influências e expressar uma consciência crítica aguçada sobre o mundo ao seu redor.
Gravação
As sessões de gravação de Chaos A.D. ocorreram entre 1992 e 1993 no Reino Unido, marcando um novo capítulo para a banda. Optando por se isolar de distrações, o Sepultura e o produtor Andy Wallace — que já havia mixado o álbum *Arise* — escolheram o Rockfield Studios, no País de Gales. Esta foi a primeira vez que a banda gravou como um quarteto com Paulo Jr. no baixo em estúdio, já que Andreas Kisser havia gravado o instrumento nos três álbuns anteriores, além de suas guitarras. Wallace teve um papel crucial na reestruturação e refinamento das canções, incentivando a banda a focar mais no groove e na sensação rítmica em vez da velocidade pura do blast-beat. Um dos momentos mais notáveis foi a gravação da faixa instrumental acústica 'Kaiowas', que aconteceu ao vivo entre as ruínas do Castelo de Chepstow, também no País de Gales. Essa busca por ambientes e sonoridades distintas sublinha a intenção do Sepultura de quebrar paradigmas e explorar novas texturas musicais.
Músicas
Chaos A.D. é um manifesto sonoro e lírico, onde as canções refletem uma profunda virada temática em relação aos trabalhos anteriores da banda. As letras abandonaram as fantasias apocalípticas para mergulhar em temas sociais e políticos urgentes, como a violência urbana, a corrupção e os conflitos territoriais. A faixa de abertura, "Refuse/Resist", exemplifica essa nova direção, começando com o batimento cardíaco do filho então não nascido de Max Cavalera, Zyon, seguido por percussão afro-brasileira e um riff marcante, transformando-a em um hino de resistência contra a brutalidade policial. Outras canções como "Territory" abordam o conflito Israel-Palestina, "Slave New World" protesta contra a censura e "Biotech Is Godzilla" critica a exploração dos recursos naturais, com letras coescritas por Jello Biafra do Dead Kennedys. A presença de uma faixa inteiramente acústica como "Kaiowas", gravada em um castelo medieval e dedicada aos indígenas Kaiowá do Brasil, demonstra a ousadia da banda em incorporar elementos étnicos e percussivos em sua sonoridade pesada, enriquecendo a tapeçaria musical do álbum.
Legado
Chaos A.D. não apenas foi aclamado pela crítica, mas também alcançou um sucesso comercial significativo, vendendo mais de um milhão de cópias em todo o mundo. O álbum foi certificado ouro pela RIAA e por outros países, além de ter sido o primeiro da Roadrunner a figurar no Top 40 da Billboard 200, atingindo a 32ª posição. Sua importância é reiterada por diversas publicações: a revista Rolling Stone Brasil o incluiu na 46ª posição entre os 100 maiores discos da música brasileira, enquanto a edição americana da mesma revista o considerou o 29º melhor álbum de metal de todos os tempos. A canção "Refuse/Resist" foi classificada na 26ª posição na lista das 40 maiores canções de heavy metal de todos os tempos pelo canal VH1. Mais do que números e classificações, Chaos A.D. exerceu uma influência profunda, sendo considerado um dos pilares do groove metal e pavimentando o caminho para gêneros como o metal alternativo e o nu metal. Bandas como Korn, Slipknot e Machine Head buscaram inspiração na abordagem inovadora do Sepultura, solidificando o álbum como um divisor de águas que transformou a trajetória do heavy metal nos anos 90.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Sepultura
Andy Wallace
Sepultura
Max Cavalera
Paulo Jr.
Igor Cavalera
Andreas Kisser
Simon Dawson
Alex Newport
