Roots

Sepultura

1996

Capa de Roots
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Roots é o sexto álbum de estúdio do Sepultura, lançado em 1996, e representa um marco crucial na trajetória da banda e no heavy metal global. Continuando a exploração sonora iniciada em Chaos A.D., este trabalho aprofunda a fusão do metal extremo com influências da música brasileira, destacando-se pelo uso proeminente de percussão tribal. A sonoridade do disco também incorpora elementos do então emergente nu metal, evidenciados por guitarras em afinação baixa e riffs rítmicos e sincopados, distanciando-se das nuances industriais do antecessor. O álbum é uma obra de grande complexidade rítmica e cultural, caracterizado pela participação de diversos músicos e pela gravação de algumas faixas em contexto imersivo com uma tribo Xavante. Esta abordagem não apenas enriqueceu a textura musical, mas também conferiu ao trabalho uma autenticidade e profundidade raras. Roots é amplamente reconhecido pela sua ousadia experimental e pela capacidade de integrar tradições indígenas brasileiras ao universo do metal. Além de sua inovação sonora, Roots marca a última participação do vocalista e guitarrista original, Max Cavalera, com o grupo, conferindo-lhe um peso histórico adicional na discografia do Sepultura.

#57

Divisor de águas no gênero e na carreira do grupo, Roots foi um dos maiores discos de thrash da década de 1990.

Leonardo Dias Pereira · Rolling Stone Brasil

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Contexto

No álbum anterior, Chaos A.D., o Sepultura já havia flertado com a incorporação de elementos de música indígena, notavelmente na faixa "Kaiowas". A ideia de aprofundar essa colaboração com um povo indígena ganhou força, impulsionada pela inspiração do vocalista e guitarrista Max Cavalera após assistir ao filme Brincando nos Campos do Senhor. Após assegurar o apoio da gravadora Roadrunner Records, Max iniciou conversas com a jornalista Angela Pappiani, do Núcleo de Cultura Indígena. Embora a intenção inicial fosse trabalhar com os Caiapós, a banda optou pelos Xavantes após ouvir sua música em um festival em Nova Iorque, um processo que levou quase um ano desde a abordagem inicial até a concretização da visita. Em novembro de 1995, a banda, acompanhada do produtor Ross Robinson, viajou para a região de Camarana, no Mato Grosso, onde passou três dias imersa na cultura Xavante, participando de rituais, pintando seus corpos, compartilhando refeições e banhos de rio. Essa imersão resultou na gravação da faixa "Itsári", cujo título, assim como o do álbum, significa "raízes", e foi capturada com um gravador de oito canais alimentado por bateria de caminhões devido à ausência de energia elétrica no local.

Gravação

A produção de Roots contou com a expertise de Ross Robinson, conhecido por seu trabalho com bandas de nu metal, e a coprodução do próprio Sepultura. A mixagem foi realizada por Andy Wallace. O álbum é notável pela sua abordagem inovadora na gravação, especialmente na faixa "Itsári", que foi capturada diretamente na tribo Xavante, no Mato Grosso. A performance dos indígenas foi registrada utilizando um gravador de oito canais, alimentado por bateria de caminhões, em uma área sem acesso à energia elétrica. Além da banda, diversos músicos contribuíram para a riqueza sonora do álbum. Carlinhos Brown participou com vocais, berimbau, timbau, wood drums, djembê e xequerê em "Ratamahatta", onde também David Silveria, do Korn, tocou bateria. Em "Lookaway", a faixa contou com as colaborações de Jonathan Davis, do Korn, e Mike Patton, do Faith No More, nos vocais, além de DJ Lethal, do Limp Bizkit, nos scratches.

Músicas

O álbum se destaca pela fusão de ritmos pesados com a percussão tribal e vocalizações indígenas, exemplificado pela faixa "Itsári". Esta canção, cujo nome significa "raízes", foi gravada diretamente na tribo Xavante com a participação dos indígenas nas vocalizações, utilizando um gravador de oito canais alimentado por baterias de caminhões devido à falta de energia elétrica. As letras, escritas por Max Cavalera, são notáveis por sua ressonância atemporal. Regis Tadeu, em uma revisão posterior, afirmou que os temas líricos de todas as músicas do disco "continuam assombrosamente atuais", sublinhando a profundidade e a relevância duradoura das mensagens abordadas pelo álbum.

Num movimento conhecido, depois de romperem violentamente não apenas com a música popular brasileira, lato sensu, mas também com o BRock, stricto sensu, depois até de terem ido morar em Phoenix, no Arizona (EUA), os membros do quarteto mineiro de thrash metal Sepultura puderam acertar as contas com a “música de raiz” de sua terra.

Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes

Legado

Roots foi lançado sob ampla aclamação da crítica especializada, sendo rapidamente reconhecido como uma obra fundamental no cenário musical. A revista Rolling Stone Brasil, em sua edição brasileira, o classificou como o 57º maior disco da música brasileira. Em termos de sucesso comercial, Roots tornou-se o álbum mais vendido do Sepultura, atingindo a marca de mais de 500.000 cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Vinte anos após seu lançamento, em 2016, as vendas totais do disco ultrapassaram os 2 milhões de cópias, consolidando seu impacto global. O álbum também se estabeleceu como uma referência crucial para bandas do gênero nu metal, influenciando diretamente a sonoridade e a experimentação de muitos artistas que viriam a seguir.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Coprodução

Sepultura

Produção

Ross Robinson

Composição

Andreas Kisser, Carlinhos Brown, DJ Lethal, Sepultura, Xavantes Tribe

Letra

Andreas Kisser, Carlinhos Brown, D-Low, Jonathan Davis, Max Cavalera, Sepultura

Vocais, Guitarra

Max Cavalera

Baixo

Paulo Jr.

Bateria

Igor Cavalera

Guitarra

Andreas Kisser

Percussão

Carlinhos Brown

Engenheiro de Som

Chuck Johnson

Engenheiro de Som [2nd]

Rob Agnello

Engenheiro de Som [Additional]

Richard Kaplan

Engenheiro de Som [Mix]

Steve Sisco

Masterização

George Marino

Mixagem

Andy Wallace

Podcasts

Referências

Livros