Fool On The Hill

Sérgio Mendes & Brasil '66

1968

Capa de Fool On The Hill
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Por Que Esse Disco é Importante

Fool on the Hill, o quarto álbum de Sérgio Mendes & Brasil '66, marca o auge da trajetória do músico e arranjador brasileiro e de seu grupo nos Estados Unidos. Lançado em 1968, o trabalho consolidou uma sonoridade única que mesclava o pop sofisticado inglês e norte-americano, de Lennon & McCartney e Simon & Garfunkel, com a riqueza melódica e rítmica da bossa nova e da MPB. Com arranjos de cordas marcantes e a característica roupagem suingada que se tornaria a assinatura do grupo, o álbum transcendeu barreiras culturais, entregando uma interpretação fresca e cativante para clássicos do pop, ao mesmo tempo em que apresentava composições brasileiras de alta qualidade ao público internacional. Essa fusão engenhosa de estilos definiu um capítulo de sucesso para a música brasileira no cenário pop global.

Contexto

O sucesso de Fool on the Hill foi construído sobre a popularidade que Sérgio Mendes & Brasil '66 já haviam conquistado nos Estados Unidos, especialmente após o impacto mundial de sua versão de “Mas Que Nada”, de Jorge Ben, no álbum de estreia Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil '66, dois anos antes. Fool on the Hill representou a primeira gravação da segunda formação do Brasil '66. Desta formação original, Sérgio Mendes manteve apenas a vocalista principal Lani Hall, que havia sido a voz dos discos anteriores. Foi também neste álbum que a cantora brasileira Gracinha Leporace, futura esposa de Sérgio, fez sua estreia em uma gravação do grupo, participando de um dueto com Lani Hall na canção “Lapinha”. Ex-integrantes da banda que saíram antes dessa formação chegaram a criar o grupo Carnival, mas sem o sucesso ou a longevidade do Brasil '66.

Gravação

O álbum Fool on the Hill foi gravado em renomados estúdios de Hollywood, Califórnia, incluindo A&M Studios e Wally Heider Recording Studio, ambos em Los Angeles. A produção ficou a cargo do próprio Sérgio Mendes, que também foi responsável pelos arranjos, garantindo a coesão sonora que se tornaria uma marca registrada do grupo. A sofisticação do trabalho foi acentuada pelos arranjos de orquestra e pela condução de Dave Grusin. A equipe técnica contou com engenheiros de som como Henry Lewy, Larry Levine, e o próprio Herb Alpert, chefe da gravadora A&M, que também atuou como engenheiro de som em algumas faixas, contribuindo para a clareza e riqueza das gravações. A colaboração entre os talentos brasileiros e os experientes profissionais americanos resultou em uma produção polida e inovadora, que capturou a essência do Brasil '66.

Músicas

A seleção de faixas em Fool on the Hill é um testemunho da visão de Sérgio Mendes em harmonizar o pop global com a riqueza da música brasileira. O álbum apresenta reinterpretações de sucessos internacionais, como a faixa-título “Fool on the Hill” de Lennon & McCartney e “Scarborough Fair” de Simon & Garfunkel, lado a lado com composições brasileiras de destaque, como “Casa Forte” e “Upa, Neguinho”, ambas de Edu Lobo, e “Lapinha” de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. Os arranjos característicos de Sérgio Mendes e os vocais distintos das cantoras Lani Hall e Karen Philipp, muitas vezes em uníssono, davam uma nova dimensão a essas canções, aplicando um "ritmo simples de bossa nova com acompanhamento de cordas". Um momento notável é o dueto entre Lani Hall e Gracinha Leporace em “Lapinha”, que adiciona uma camada de delicadeza e brasilidade ao repertório. A versão do grupo para “Fool on the Hill” foi particularmente bem-sucedida, tornando-se um dos grandes singles do álbum.

Legado

Fool on the Hill solidificou a posição de Sérgio Mendes & Brasil '66 no cenário musical norte-americano e internacional. O álbum alcançou a posição #3 na parada nacional de sucessos da Billboard. O single homônimo, “Fool on the Hill”, foi um sucesso estrondoso, vendendo mais de quatro milhões de cópias em todo o mundo, superando as vendas da versão original dos Beatles. A canção também alcançou a posição #6 na Billboard Hot 100 e permaneceu por seis semanas no topo da parada Easy Listening. Além do sucesso comercial, o álbum é lembrado pela sua ousada e original capa, que mostrava Sérgio Mendes e a banda sentados em um trono sobre o corpo de uma mulher nua ao pôr do sol. A arte conseguiu passar pela censura moralista da época e é creditada por ter impulsionado as vendas do disco pela sua singularidade. O próprio Paul McCartney expressou seu apreço pela versão de Sérgio Mendes da canção.

Faixas

Créditos

Arranjo [Orchestra], Conductor [Orchestra]

Dave Grusin

Produção, Arranjo

Sérgio Mendes

Guitarra

John Pisano

Engenheiro de Som

Henry Lewy, Herb Alpert, Larry Levine

Direção de Arte

Tom Wilkes

Fotografia

Guy Webster

Fotografia [Figure Study]

Bob Gordon

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