Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar

Siba E A Fuloresta

2008

Capa de Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar
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Por Que Esse Disco é Importante

Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar, lançado por Siba E A Fuloresta em 2008, representa um marco singular na música brasileira, consolidando a voz de Siba como um dos artistas mais inovadores na interseção entre a tradição e a contemporaneidade. O álbum tece uma tapeçaria sonora que resgata e reimagina as raízes profundas da cultura pernambucana, especialmente o maracatu rural, o coco e a ciranda, mas as eleva com uma sensibilidade poética e arranjos surpreendentes. Distanciando-se de fórmulas e tendências, Siba e seu grupo, A Fuloresta, constroem um som orgânico e visceral, onde a rabeca, instrumento central na obra do artista, dialoga com metais de fanfarra e percussões de rua, criando uma sonoridade ao mesmo tempo arcaica e moderna. O disco é uma imersão em paisagens sonoras e líricas do interior de Pernambuco, apresentando uma complexidade que o torna especial e digno de atenção, expandindo as fronteiras da MPB ao celebrar e recontextualizar a música popular nordestina com originalidade. Sua relevância reside na forma como Siba consegue transcender os rótulos, criando uma obra que é profundamente enraizada e universal, conectando o ouvinte a um Brasil autêntico e pulsante. É um trabalho que exige uma escuta atenta, revelando camadas de poesia e musicalidade a cada audição.

Contexto

Antes de Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar, Siba já era uma figura respeitada na cena musical brasileira, sendo co-fundador e líder do Mestre Ambrósio, um dos grupos mais expressivos do movimento manguebeat nos anos 90. Após o fim da banda e um período vivendo em São Paulo, Siba retornou a Pernambuco, fixando residência em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte, uma região efervescente na produção musical de maracatu rural, coco e ciranda. Nesse ambiente de intensa tradição, Siba formou A Fuloresta, um coletivo de músicos locais, mestres na poesia e instrumentistas, com quem lançou o aclamado Fuloresta do Samba em 2002. Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar surgiu como uma continuação natural dessa imersão e pesquisa nas sonoridades regionais, aprofundando a fusão entre a vivência do artista com a sabedoria popular e a modernidade de sua visão musical.

Gravação

O álbum Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar foi lançado em 2007, com algumas versões datadas de 2008, e contou com a produção de Siba e Beto Villares. A gravação reuniu a nata dos músicos da Zona da Mata que compunham A Fuloresta, incluindo Biu Roque e Mané Roque nas percussões e voz, e um naipe de metais formado por Roberto Manoel (trompete), Galego do Trombone (trombone), João Minuto (sax tenor) e André Tubista (tuba), conferindo ao som uma característica de 'banda de coreto' ou de rua. O disco apresenta colaborações notáveis que enriquecem sua sonoridade. A cantora Céu participa da faixa "Cantar Ciranda", enquanto Lúcio Maia (guitarrista do Nação Zumbi) contribui com sua guitarra em "Alados". Fernando Catatau (do Cidadão Instigado) também aparece em "Meu Time", e Isaar empresta sua voz em "A Velha da Capa Preta", demonstrando a capacidade de Siba de integrar diferentes talentos em sua proposta musical.

Músicas

As canções de Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar são marcadas por letras que exploram a condição humana, a passagem do tempo e a relação do indivíduo com um mundo em constante movimento. A faixa-título, "Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar", sintetiza essa percepção de instabilidade e a leveza diante das mudanças inevitáveis, com versos que refletem sobre a inevitabilidade das transformações e a busca por equilíbrio. Musicalmente, o álbum destaca-se pela instrumentação única, onde a rabeca de Siba lidera a melodia, acompanhada pela riqueza rítmica das percussões e pela força dos instrumentos de sopro. Canções como "Pisando Em Praça De Guerra" e "Bloco Da Bicharada" exemplificam a energia do maracatu e do coco, enquanto a participação de Céu em "Cantar Ciranda" adiciona uma camada de delicadeza e modernidade. As letras, muitas vezes em formato de poesia rimada, abordam temas cotidianos com sabedoria popular e uma linguagem direta, característica da poesia da Mata Norte, da qual Siba é um mestre.

Legado

Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar foi amplamente aclamado pela crítica, sendo reconhecido como um trabalho que solidificou Siba como um dos mais importantes artistas da música brasileira contemporânea. O álbum foi incluído em diversas listas de melhores discos da música brasileira, atestando sua relevância e o impacto duradouro de sua sonoridade única. O sucesso do disco e de sua faixa-título, que se tornou um 'hit', permitiu a Siba e A Fuloresta viajarem para diversos países, expondo a riqueza da música pernambucana a um público global. A canção "Toda Vez Que Eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar" em particular transcendeu o álbum, sendo regravada e revisitada por outros artistas, consolidando-se como um clássico contemporâneo e um símbolo da reinvenção da música de raiz no Brasil.

Faixas

Créditos

Vocais

Mané Roque

Vocais, Rabeca, Composição, Arranjo

Siba Veloso

Bombo, Drum [Tarol], Vocais

Cosmo Antônio

Brass

Fuloresta

Drum [Tarol], Bombo, Vocais

Biu Roque

Rattle

Zeca

Saxofone Tenor

João Minuto

Trombone

Galego Do Trombone

Trompete

Roberto Manoel

Tuba

André Tubista

Arte

Os Gêmeos

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