Calango

Skank

1994

Capa de Calango
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Calango, o segundo álbum da banda mineira Skank, lançado em 1994, é um marco fundamental na música popular brasileira dos anos 90. Ele não apenas consolidou a identidade sonora do grupo, mas também redefiniu o cenário do pop rock nacional ao apresentar uma fusão inovadora de reggae jamaicano, ska, dancehall e elementos do pop e rock, tudo com um sotaque distintamente brasileiro. O álbum se destaca por suas fortes influências de reggae, pontuadas por arranjos de metais complexos e vibrantes que permeiam praticamente todas as faixas. Samuel Rosa descreveu o trabalho como uma amálgama da sonoridade dos anos 1990 com características musicais dos anos 1960, resultando em uma estética pop inteligente e inventiva. Essa abordagem eclética, que misturava ritmos tropicais com influências britânicas de bandas como The Police, conferiu ao Skank uma sonoridade inédita e autêntica, crucial para o sucesso e reconhecimento da banda.

Contexto

Antes de Calango, o Skank, originário de Belo Horizonte, já havia demonstrado seu potencial com seu álbum de estreia homônimo, lançado de forma independente em 1992 e relançado pela Sony Music em 1993. Esse primeiro trabalho, com hits como "Tanto" e "O Homem Que Sabia Demais", vendeu 250 mil cópias e estabeleceu a banda no cenário musical. A banda, formada por Samuel Rosa (vocal e guitarra), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria), surgiu em 1991 com a intenção de mesclar dancehall com estilos brasileiros tradicionais. O lançamento de Calango em 1994 ocorreu em um período de efervescência musical no Brasil, com o rock alternativo ganhando força. O álbum foi crucial para a abertura do mainstream para bandas underground do pop rock dos anos 90, consolidando o Skank como um dos principais grupos da cena.

Gravação

A produção de Calango foi um passo decisivo para o Skank, que optou por trabalhar com um produtor externo, Dudu Marote, conhecido pela banda após remixar "Baixada News" do primeiro disco. As gravações ocorreram ao longo de um mês, entre julho e agosto de 1994, no renomado estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, um local icônico para o rock brasileiro. O processo envolveu a rotina de viajar de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro todas as segundas-feiras às 7h e retornar às sextas-fefeiras à noite. Além de Dudu Marote, o guitarrista Marcos Gauguin, que já havia trabalhado na mixagem do álbum de estreia da banda e os acompanhava ao vivo, também colaborou na produção. Duas canções, "Amolação" e "Jackie Tequila", já faziam parte dos shows da banda antes da gravação. Uma notável inclusão foi a faixa "É Proibido Fumar", um cover de Roberto Carlos, gravada originalmente para o disco-tributo REI, produzido por Frejat. O tecladista Henrique Portugal utilizou um teclado emprestado durante as sessões e contribuiu com vocais em faixas como "A Cerca" e "Amolação". O projeto gráfico do álbum foi concebido por Jarbas Agnelli e desenvolvido a partir de uma fantasia criada por Ilson Lorca para as celebrações da Copa do Mundo FIFA de 1994, vista pelo empresário Fernando Furtado em um jornal. No encarte, o baixista Lelo Zaneti veste essa fantasia, adicionando um elemento visual distintivo ao disco.

Músicas

As canções de Calango exploram uma diversidade temática que inclui baladas, a glorificação do rural e a crítica social, tudo embalado por letras inteligentes e melodias dançantes. O próprio título do álbum, "Calango", é uma referência a um ritmo e dança típicos do norte de Minas Gerais, caracterizado por um "duelo" improvisado entre dois cantores. Essa influência é vividamente retratada na faixa "A Cerca", que simula uma discussão entre dois caipiras sobre os limites de suas terras, reminiscentes do repente nordestino, mas com uma levada mais rápida e guitarras distorcidas. Outros destaques incluem a vibrante "Jackie Tequila", um reggae balada que se tornou um dos grandes sucessos do álbum, e "Amolação", que mistura ska e dub para narrar as dificuldades de um lavrador. A música "Esmola", apesar de seu tom alegre e dançante, apresenta uma crítica social bem-humorada, abordando temas de desemprego e pobreza. A versão de "É Proibido Fumar" de Roberto e Erasmo Carlos se tornou um dos maiores sucessos de rádio, e a banda também emplacou "Te Ver" nas paradas.

Legado

Calango foi um sucesso estrondoso, vendendo 1,2 milhão de cópias e conquistando o disco de diamante, firmando o Skank de vez no cenário musical brasileiro. O álbum impulsionou a banda ao topo das paradas nacionais, com faixas como "Jackie Tequila", "Esmola", "Pacato Cidadão" e "Amolação" se tornando hits amplamente tocados nas rádios. O álbum não só alcançou um sucesso comercial expressivo, mas também teve um impacto cultural significativo, com músicas sendo incluídas em trilhas sonoras de telenovelas, como "Chega Disso!" em Malhação e "Pacato Cidadão" em A Próxima Vítima. A crítica reconheceu a importância de Calango por sua capacidade de fundir diferentes gêneros, mantendo as raízes brasileiras e oferecendo uma experiência sonora nova e cativante. Em 2010, em comemoração aos 15 anos de seu lançamento, uma edição especial do álbum foi lançada, remasterizada e com versões alternativas de oito faixas, evidenciando sua duradoura relevância.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística

Jorge Davidson

Produção Executiva

Fernando Furtado

Produção

Dudu Marote, Skank

Baixo

Lelo Zaneti

Costume Designer [Fantasy]

Ilson Lorca

Bateria

Haroldo Ferretti

Guitarra, Vocais

Samuel Rosa

Teclados

Henrique Portugal

Saxofone

Chico Amaral

Trombone

Edson Maciel

Trompete

João Vianna

Engenheiro de Som [Mixing]

Vitor Farias

Engenheiro de Som [Recording]

Guilherme Calicchio, Renato Muñoz, Vitor Farias

Corte

Elio Gomes

Masterização

Ricardo Garcia

Técnico [Studio Assistant]

Everaldo Andrade, Marcio Thees, Renato Muñoz

Direção de Arte

Jarbas Agnelli

Arte [Art Assistant]

Edilson Lino

Coordenação [Production]

Ronaldo Viana

Fotografia

Claudio Elizabetsky

Referências

Livros