O Samba Poconé
Skank
1996

Porque Merece Estar na Lista
O Samba Poconé, lançado em 1996, representa um marco significativo na trajetória do Skank, sendo o terceiro álbum da banda mineira. Este trabalho audacioso marcou um ponto de virada estilístico, com a banda optando por explorar novas sonoridades, afastando-se do dancehall brasileiro para incorporar elementos de rock, rockabilly, rock latino e forró. Essa experimentação resultou em um disco mais elaborado e criativo, que desafiou as expectativas e revelou uma banda mais madura e atrevida no estúdio. O álbum foi concebido com uma inspiração eclética, referenciando os filmes da Atlântida, com ícones como Zé Trindade, Renata Fronzi e Grande Otelo, além dos pequenos circos que percorrem o país. O título, que alude à cidade de Poconé no Mato Grosso, foi escolhido por Henrique Portugal como uma representação do 'interior do Brasil e as misturas de referência musical que nos influenciavam na época', evidenciando a busca por uma identidade sonora enraizada na cultura nacional. Samuel Rosa descreveu o álbum como uma "prova de fogo" e um "aperfeiçoamento" em relação ao trabalho anterior, "Calango". Ele o considerou esteticamente e musicalmente mais bem resolvido e ousado, destacando a presença de um espectro mais amplo do Skank em faixas como "Sem Terra" e "Los Pretos", que se misturam harmoniosamente com a veia pop do disco.
Contexto
O Samba Poconé emerge como o terceiro álbum do Skank, lançado em 1996, sucedendo o aclamado "Calango". O período da gravação representou uma fase de transição e amadurecimento para a banda, que buscou expandir sua paleta sonora. Nesse momento, o grupo mineiro conscientemente se distanciou do dancehall brasileiro, estilo que havia marcado seus trabalhos iniciais, para mergulhar em uma fusão de ritmos que abrangia o rock, o rockabilly, o rock latino e o forró. Apesar da ousadia musical e da intenção de explorar novas direções, o álbum anterior, "Calango", havia se destacado por ter mais canções de sucesso radiofônico. Com "O Samba Poconé", o desafio foi solidificar essa nova proposta artística e consolidar a sonoridade "atrevida" que a banda buscava no estúdio.
Gravação
O álbum O Samba Poconé foi produzido por Dudu Marote e gravado no estúdio Mosh, em São Paulo. O processo de criação contou com a notável participação do cantor francês Manu Chao, que colaborou em três faixas: "Los Pretos", "Sem Terra" e "Zé Trindade". A conexão com Chao foi estabelecida por Paco Pigalle, proprietário de um clube em Belo Horizonte, que também emprestou sua voz na canção "Los Pretos". Além das colaborações musicais, o projeto gráfico do álbum também recebeu atenção especial. Gringo Cardia foi o responsável pela direção artística, incorporando pinturas do artista espanhol José Robles. A escolha por pinturas, em vez de fotografias no encarte, partiu de Samuel Rosa, que solicitou a busca pelo responsável pelos painéis das fachadas dos cinemas de São Paulo. Robles criou 18 obras, das quais treze foram selecionadas para compor o encarte do álbum.
Músicas
Apesar da evolução sonora, o desempenho radiofônico de O Samba Poconé foi amplamente dominado por "Garota Nacional", a primeira música de trabalho. Embora "É Uma Partida de Futebol" e "Tão Seu" também tenham conquistado espaço nas rádios, o álbum teve um número menor de grandes sucessos se comparado ao trabalho anterior. Contudo, o disco demonstra uma fusão de elementos pop com um espectro mais amplo do Skank, evidente em faixas como "Sem Terra" e "Los Pretos". As composições contaram com a participação de diversos músicos convidados. Manu Chao contribuiu vocalmente nas canções "Los Pretos", "Sem Terra" e "Zé Trindade", enquanto Paco Pigalle também cantou em "Los Pretos". A faixa "Poconé" apresenta o som do acordeão de Toninho Ferragutti, adicionando uma textura particular ao álbum. Segundo a crítica de Don Snowden da AllMusic, as quatro primeiras faixas do álbum foram destacadas como as mais fortes.
Legado
O Samba Poconé consolidou-se como o álbum de maior sucesso comercial do Skank, superando a marca de 1 milhão de cópias vendidas e alcançando a impressionante cifra de mais de 1,8 milhão de cópias. Por suas vendas expressivas, o álbum foi certificado como disco de diamante pela ABPD, evidenciando seu impacto no mercado musical brasileiro. A recepção crítica foi geralmente positiva, com Don Snowden da AllMusic avaliando o álbum com três de cinco estrelas, elogiando a boa produção das músicas e destacando as quatro primeiras faixas como as mais fortes. Anderson Nascimento, do portal Galeria Musical, também atribuiu três de cinco estrelas ao trabalho. Em reconhecimento à sua importância, foram lançadas edições comemorativas do álbum. Em 11 de novembro de 2016, uma edição de 20 anos foi disponibilizada, incluindo dois discos bônus com demos, remixes, instrumentais, versões alternativas e faixas descartadas do álbum original, acompanhada de uma turnê comemorativa. A influência do álbum também se reflete em diversas regravações de suas canções, como "Tão Seu" pela Banda Eva, Roupa Nova e Raça Negra, e "Os Exilados" por Luiza Possi.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Jorge Davidson
Chico Amaral
Fernando Furtado
Dudu Marote, Skank
Cesar Goulart, Marcelo Pianetti, Tieta
Débora Reis, Graça Cunha, Kelly Cruz, Paco Pigalle, Vânia Abreu
Toninho Ferragutti
Lelo Zaneti
Leonardo Eyer
Haroldo Ferretti
Samuel Rosa
Henrique Portugal
Pearl, Umbro, Zildjian
José Robles
Ed Côrtes, James Muller, Marcos Romera
Chico Amaral, Ed Côrtes, Nailor Proveta Azevedo, Teco Cardoso
Edivaldo Silva, Sidnei Borgani
João Vianna, Nahor Gomes, Walmir De Almeida Gil
Leon Zervos
Michael Fossenkemper
Guilherme Canaes
Primo, Silas de Godoy
Andre Ratones, Enrico Romano, Keko Mota, Sandro Estevam
Dominick Barbera, Steve Sola
Gauguin
Cláudia Stancioli
Ronaldo Viana
Gringo Cardia

