Matança do Porco

Som Imaginário

1973

Capa de Matança do Porco
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Matança do Porco, lançado em 1973, é o terceiro e último álbum de estúdio do Som Imaginário e é amplamente aclamado como a obra-prima da banda. Este trabalho se destaca por ser majoritariamente instrumental, navegando com audácia e sofisticação entre o jazz, a música clássica, a MPB e o rock progressivo. Ele solidificou a identidade sonora do grupo, que se tornou um dos expoentes da música instrumental brasileira. O álbum é uma demonstração primorosa da maestria composicional e arranjística de Wagner Tiso, que emergiu como o principal líder e artífice da sonoridade aqui apresentada. Sua musicalidade complexa e elegante, aliada à execução virtuosa dos demais integrantes, faz de Matança do Porco um registro singular e atemporal na discografia nacional, marcando um ponto alto na fusão de gêneros e na experimentação musical no Brasil.

Contexto

Formado em 1970, o Som Imaginário surgiu inicialmente para acompanhar Milton Nascimento em seus shows e gravações, construindo uma reputação como uma banda de apoio de alto calibre. Os dois álbuns anteriores do grupo, ambos homônimos e lançados em 1970 e 1971, exploravam uma sonoridade mais psicodélica e folk. Na época do lançamento de Matança do Porco, o Brasil vivia sob um regime de ditadura militar repressivo. O cenário musical, embora permeado pela música de protesto, também absorvia tardiamente as influências da contracultura e dos movimentos de rock e jazz internacionais. O caráter predominantemente instrumental do álbum pode ser interpretado como uma forma de expressão artística que transcende as barreiras da censura, permitindo que a música, em sua essência, comunicasse os sentimentos daquele período.

Gravação

O álbum Matança do Porco foi gravado nos lendários Estúdios Odeon, no Rio de Janeiro. A produção ficou a cargo de Milton Miranda, com Antonio De Vincenzo como assistente de produção, e a direção musical foi assinada pelo Maestro Gaya. A formação que participou das gravações incluía Wagner Tiso (piano, órgão Hammond e piano elétrico), Luiz Alves (baixo elétrico) e Robertinho Silva (bateria). Apesar de Fredera (guitarra) já ter saído da banda quando o LP foi lançado, seus brilhantes solos de guitarra são uma parte evidente e fundamental do álbum. O disco também contou com participações especiais notáveis, como as vocalizações de Milton Nascimento, a flauta de Danilo Caymmi e os coros dos Golden Boys, além da Orquestra Odeon, conduzida por Arthur Verocai e Gaya em diferentes faixas.

Músicas

Matança do Porco é um álbum conceitual, onde sete das nove faixas foram compostas exclusivamente por Wagner Tiso. O disco se articula em torno da melancólica e erudita canção “Armina”, que não apenas abre o álbum com o piano de Tiso, mas também é apresentada em vinhetas que pontuam e conectam as outras faixas, conferindo uma unidade atmosférica ao trabalho. A faixa-título, “A Matança do Porco”, é o ponto culminante do álbum, estendendo-se por mais de 11 minutos e dividida em três movimentos distintos. Nela, destacam-se as deslumbrantes vocalizações de Milton Nascimento, a guitarra ácida de Fredera e os intrincados fraseados de Tiso. A canção foi originalmente composta por Wagner Tiso para a trilha sonora do filme “Os Deuses e os Mortos” (1971), de Ruy Guerra. Outras peças notáveis incluem “A 3”, com Tiso explorando frases que remetem ao estilo de Kerry Minnear do Gentle Giant, a progressiva “A N° 2”, com um órgão de timbre arrepiante, e “Mar Azul”, que incorpora elementos do samba-jazz e os arpejos de flauta de Danilo Caymmi.

Legado

Considerado por muitos o ápice da discografia do Som Imaginário, Matança do Porco é reverenciado como um dos primeiros sucessos comerciais da música instrumental brasileira, abrindo caminho para o reconhecimento do gênero. Sua complexidade e a fusão de estilos fizeram dele um precursor do movimento de jazz fusion que ganharia força nos anos seguintes, antecipando tendências em cerca de dois a três anos. O álbum teve um impacto duradouro, contribuindo significativamente para a literatura da música brasileira e para a compreensão do processo criativo do Som Imaginário. Suas faixas continuam a ser descobertas por novas gerações, e a faixa-título, em particular, permanece presente em playlists e é frequentemente citada como um marco. O álbum foi reeditado em CD em 1997 e em vinil de 180 gramas em 2020, atestando sua relevância contínua e seu status como um verdadeiro clássico da música brasileira, apesar do vinil original ser hoje um item de colecionador e de alto valor no mercado.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Regência

Arthur Verocai, Lindolfo Gaya, Paulo Moura

Diretor Musical

Lindolfo Gaya

Orquestração

Wagner Tiso

Produção

Milton Miranda

Produção [Assistant]

Antonio De Vincenzo

Supervisão de Gravação

Z. J. Merky

Técnico [Mastering]

Reny R. Lippi

Técnico [Recording & Remixing]

Nivaldo Duarte

Técnico [Recording]

Dacy Rodrigues, Toninho

Layout, Fotografia

Rubens Maia

Referências

Livros