Snegs
Som Nosso de Cada Dia
1974

Porque Merece Estar na Lista
Snegs, o álbum de estreia da banda Som Nosso de Cada Dia, lançado em 1974, é uma pedra angular no cenário do rock progressivo brasileiro e uma obra fundamental na música nacional. Distinguindo-se pela sua sonoridade rica e instrumentalmente complexa, o disco apresenta uma rara fusão de influências internacionais do rock progressivo, como Yes, Emerson, Lake & Palmer e Genesis, com elementos inerentemente brasileiros como funk e soul. O trabalho é marcado pela forte presença do teclado, do baixo e da bateria, com uma abordagem minimalista da guitarra elétrica, permitindo que a maestria multi-instrumental de Manito (órgão, sintetizador, violino, piano, flauta, saxofone) brilhasse intensamente. O álbum não se limita a emular o som estrangeiro, mas forja uma identidade própria, repleta de "groove" e atitude, que o estabelece como uma joia audaciosa e inovadora dentro do repertório musical brasileiro da década de 1970.
Contexto
Formado em São Paulo por volta de 1971, o Som Nosso de Cada Dia nasceu da união de Pedrinho Batera, Pedro Baldanza (Pedrão) e o já experiente multi-instrumentista Manito, que havia participado de bandas icônicas da Jovem Guarda como The Clevers e Os Incríveis. Antes do Som Nosso, Pedrão Baldanza teve uma passagem significativa pela banda Enigma, que serviu como um embrião para o surgimento dos Novos Baianos. Esses backgrounds diversos contribuíram para a sonoridade única e amadurecida que a banda viria a desenvolver. A gravação de Snegs ocorreu em um período de efervescência cultural e transição política no Brasil dos anos 70, onde novas expressões artísticas floresciam e o rock, em suas múltiplas vertentes, buscava consolidar-se. O trio buscava formatos coletivos e sonoridades mais elaboradas, distanciando-se do repertório padrão das bandas de baile e explorando a psicodelia e a improvisação, o que os levou a consolidar um estilo que mesclava a tradição rítmica brasileira com a estética do rock progressivo internacional.
Gravação
Snegs foi gravado em maio de 1974 nos estúdios Sonima, em São Paulo, sob a produção de Peninha Schmidt, com o auxílio dos técnicos Francisco "El Zorro", Carlos Dutweller e Índio. A gravação se destacou pela rapidez e espontaneidade, tendo sido realizada em apenas dois dias, com a maior parte do material capturado ao vivo. As composições já estavam bem ensaiadas e prontas ao chegar ao estúdio, dispensando alterações significativas por parte da equipe de produção. Os overdubs foram mínimos, concentrando-se em violões, solos de Manito (violino, sax, Minimoog) e vocais adicionais, incluindo os de Marcinha. Essa abordagem permitiu que a essência e a energia das performances ao vivo da banda fossem fielmente registradas, resultando em um álbum com uma autenticidade notável.
Músicas
O álbum Snegs apresenta sete faixas originais, com a autoria compartilhada entre Pedrão, Cimara, Paulinho e Gastão Lamounier Neto. A instrumentação é uma marca distintiva do Som Nosso de Cada Dia, com Pedrão Baldanza liderando com baixo e vocais, Pedrinho Batera na bateria e vocais, e Manito exibindo sua versatilidade em órgão, sintetizador, violino, piano, flauta e saxofone, além de vocais adicionais. Canções como "Sinal da Paranóia" logo de início revelam o estilo da banda, com riffs intensos, mudanças rítmicas inesperadas e a constante movimentação dos teclados. "Bicho do Mato" oferece um sopro mais direto, onde o baixo de Pedrão dita o ritmo, criando uma sonoridade que transita entre o rock pesado e a MPB. Já a faixa-título "O Som Nosso de Cada Dia" serve quase como um cartão de visitas, alternando momentos de pura exploração instrumental com passagens mais melódicas, enquanto "Snegs de Biufrais" se destaca como um interlúdio psicodélico de pura experimentação. A complexidade e coesão das músicas, aliadas à rara ausência de um guitarrista solo, sublinham o caráter inovador e ousado do trabalho do trio.
Legado
Snegs é universalmente aclamado como um dos melhores álbuns de rock progressivo brasileiro, recebendo classificações elevadas de críticos e fãs do gênero. Em plataformas especializadas, grande parte das avaliações o considera uma "obra-prima essencial do rock progressivo" ou uma "excelente adição a qualquer coleção de rock progressivo". Sua influência reside na capacidade de misturar as referências de bandas internacionais como Yes e Emerson, Lake & Palmer com um toque tipicamente brasileiro, abrindo caminho para que outras bandas do cenário progressivo nacional pudessem desenvolver suas próprias sonoridades. Apesar de não ter alcançado um sucesso massivo em vendas na época, o álbum e o Som Nosso de Cada Dia ganharam maior reconhecimento por suas lendárias performances ao vivo. Relançamentos posteriores em CD, como os de 1993 e 2017, frequentemente incluíram uma faixa bônus, "O Guarani", gravada em 1993, que marcou o reencontro do trio original. Essa longevidade e o contínuo interesse em seu trabalho demonstram a importância duradoura de Snegs na história da música brasileira.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Pena Schmidt
Marcinha
Pedrinho Batera
Pedrão Baldanza
Manito
Carlos Duttweller, Francisco Luis Russo, Índio
Julio Nagib
Agamenon
Eduardo Campanelli, Pedrinho Batata
