Som Nosso

Som Nosso de Cada Dia

1977

Capa de Som Nosso
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

O álbum Som Nosso, lançado em 1977 pela banda Som Nosso de Cada Dia, representa uma virada notável na trajetória do grupo e na paisagem musical brasileira da época. Conhecidos por seu rock progressivo intrincado e virtuoso no álbum de estreia, Snegs, a banda surpreendeu ao apresentar neste segundo trabalho uma sonoridade profundamente imersa no funk e no soul. Essa mudança estilística não foi apenas uma transição, mas uma audaciosa fusão de ritmos e influências que demonstrou a versatilidade e a capacidade de experimentação dos músicos. O álbum se destaca por sua energia contagiante e grooves marcantes, revelando uma faceta mais dançante e rítmica do Som Nosso de Cada Dia, que até então era sinônimo de complexidade progressiva. É um registro essencial para entender a amplitude da música brasileira dos anos 70, que não se limitava a gêneros pré-definidos, mas abraçava a liberdade criativa. Som Nosso é um testemunho da efervescência cultural e da busca por novas expressões, consolidando-se como um marco para a banda e para os ouvintes que apreciavam a inovação e a qualidade instrumental, independentemente das fronteiras de gênero.

Contexto

Antes do lançamento de Som Nosso em 1977, a banda Som Nosso de Cada Dia havia estabelecido sua reputação no cenário do rock progressivo brasileiro com o aclamado álbum Snegs (1974). A formação inicial do grupo, com Manito nos teclados e sopros, Pedrão no baixo e Pedrinho Batera na bateria, era conhecida por arranjos elaborados e improvisações instrumentais. Contudo, para este segundo álbum, houve mudanças significativas na formação, com a saída de Manito e a inclusão de Dino e Paulinho nos teclados, e Rangel na percussão, ao lado de Pedrão e Pedrinho. Essa reconfiguração do grupo, combinada com a atmosfera musical efervescente de São Paulo nos anos 70, que via a emergência de diversas fusões e experimentações, pavimentou o caminho para a exploração de sonoridades mais ligadas ao funk e ao black music, distanciando-se do progressivo puro de seu trabalho anterior.

Gravação

O álbum Som Nosso foi lançado em 1977 pela gravadora CBS. A produção e mixagem ficaram a cargo de Tony Bizarro, com a direção artística de Jairo Pires. Essas escolhas de produção e selo editorial foram instrumentais para a sonoridade mais polida e voltada para o funk e soul que o disco apresentou, em contraste com a produção do álbum anterior, Snegs, que havia sido lançado pela Continental.

Músicas

O álbum é dividido em dois lados, subtitulados 'Sábado' (lado A) e 'Domingo' (lado B), cada um com sua atmosfera particular. O lado 'Sábado' explora com vigor o funk e o soul, com faixas como "Pra Swingar", "Levante a Cabeça" e "Estação da Luz", que apresentam balanços contagiantes e um ritmo vibrante. As letras e as composições refletem uma busca por uma sonoridade mais direta e acessível, sem perder a sofisticação instrumental que caracterizava a banda. Já o lado 'Domingo' traz canções como "Bem No Fim", "Montanhas" e "Rara Confluência", que, embora ainda permeadas pela essência do funk, podem apresentar nuances mais melódicas e arranjos um pouco mais elaborados, remetendo a uma reflexão mais introspectiva. A presença de Pedrinho e Pedrão como compositores em várias faixas demonstra a autoria e a direção criativa dos membros remanescentes, explorando novas linguagens musicais com maestria.

Legado

A recepção de Som Nosso marcou uma surpresa para muitos, dado o forte enraizamento da banda no rock progressivo com seu álbum de estreia. No entanto, ao longo do tempo, o disco conquistou um status de "cult" por sua ousadia em transitar por gêneros como o funk e o soul, revelando uma versatilidade incomum para a época. Embora não tenha alcançado o mesmo reconhecimento imediato do debut dentro do nicho progressivo, Som Nosso é hoje reavaliado como um exemplo da capacidade de reinvenção da música brasileira. O álbum é frequentemente citado por entusiastas e críticos como um registro importante para a compreensão da fusão de estilos que caracterizou a produção musical do Brasil nos anos 70. Sua sonoridade única e a qualidade das composições e arranjos garantiram seu lugar como uma peça valiosa na discografia da banda, demonstrando que o Som Nosso de Cada Dia era capaz de ir além das expectativas e explorar diferentes caminhos estéticos com excelência.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Som Nosso De Cada Dia

Direção [Artistic Direction]

Jairo Pires

Direção, Mixagem, Produção

Tony Bizarro

Participação

Armando Marçal, Egídio Conde, Marcinha, Tony Osanah, Tuca Camargo

Baixo, Vocais

Pedrão Baldanza

Bateria, Vocais

Pedrinho Batera

Teclados

Dino Vicente, Paulinho Esteves

Percussão, Vocais

Rangel

Técnico

Marcus Vinicius

Arte

Laci Miranda

Fotografia

Carlos Henrique Hyra

Referências

Livros