Primitive
Soulfly
2000

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Por Que Esse Disco é Importante
Lançado em 26 de setembro de 2000, Primitive é o segundo álbum de estúdio da banda de heavy metal Soulfly e representa um marco crucial na trajetória de Max Cavalera após sua saída do Sepultura. Este trabalho se destaca por ser uma declaração artística mais colaborativa e multifacetada de Cavalera até então, expandindo as fronteiras do nu metal com uma fusão audaciosa de peso, ritmos tribais brasileiros, elementos de grunge e pinceladas de hip-hop. O álbum não apenas solidificou a identidade sonora do Soulfly, mas também aprofundou as explorações de temas espirituais, proféticos e de agressão, incorporando de maneira única a world music à sonoridade pesada. Primitive demonstrou uma evolução deliberada em relação ao som mais cru e direto do álbum de estreia da banda, buscando uma produção mais polida e texturizada, sem perder a intensidade característica do líder.
Contexto
O Soulfly foi formado em 1997 por Max Cavalera em Phoenix, Arizona, após sua conturbada saída do Sepultura. A decisão de Cavalera de deixar a banda brasileira ocorreu em meio a desentendimentos sobre a permanência de sua esposa como empresária, levando-o a buscar uma nova plataforma para suas ideias musicais e espirituais. A criação do Soulfly nasceu com a proposta de combinar sonoridades e crenças espirituais, um conceito profundamente influenciado pela dor de lidar com a morte de seu enteado e melhor amigo, Dana Wells. Após o lançamento do álbum de estreia autointitulado em 1998, que estabeleceu as bases do som tribal e agressivo da banda, Soulfly entrou em estúdio para gravar Primitive. A formação para este álbum contou com Max Cavalera nos vocais, guitarra de quatro cordas e berimbau, Mikey Doling na guitarra solo, Marcello D. Rapp no baixo e a adição do novo baterista Joe Nuñez, que substituiu Roy Mayorga.
Gravação
A concepção e gravação de Primitive ocorreram entre 1999 e 2000 no estúdio The Saltmine Studio Oasis, localizado em Mesa, Arizona. Para este trabalho, a banda contou com a produção de Toby Wright, conhecido por seu trabalho com bandas como Alice in Chains e Korn, que buscou um som mais espaçoso e refinado em comparação com a abordagem crua do álbum de estreia, produzido por Ross Robinson. Os toques de Wright são perceptíveis em todo o disco, com a inclusão de sintetizadores, teclados e programação adicional de bateria, elementos que contribuíram para a sonoridade híbrida e multifacetada do álbum. A mixagem foi realizada por Andy Wallace e a masterização por George Marino. Além da produção principal, Max Cavalera é creditado como coprodutor em diversas faixas, enquanto Sean Lennon também contribuiu como coprodutor na canção "Son Song". A percussão manual, um pilar da identidade sonora do Soulfly, foi aprofundada com a participação de Larry McDonald e Meia Noite.
Músicas
Primitive é um caldeirão de influências e colaborações, com diversas faixas que se destacam pela sua originalidade. O álbum abre com "Back to the Primitive", que imediatamente introduz o elemento tribal com o som do berimbau. "Jumpdafuckup" é um dos pontos altos, apresentando os vocais marcantes de Corey Taylor do Slipknot e riffs lamacentos, sendo inclusive reconhecida como um "clássico" do nu-metal. "Mulambo" teve sua aparição no filme The Forsaken e contou com os vocais de apoio da Mulambo Tribe, enquanto "Terrorist" é notável por incorporar letras de "Inner Self" do Sepultura e "Criminally Insane" do Slayer, além da participação vocal de Tom Araya do Slayer. A emotiva "Son Song" é um tributo aos pais falecidos de Max Cavalera e Sean Lennon (o icônico John Lennon), com Sean Lennon coescrevendo, cantando e tocando na faixa, que apresenta riffs com sonoridade grunge à la Alice in Chains e vocais semelhantes aos de Layne Staley. A canção "In Memory of..." inova para o Soulfly ao incorporar elementos de rap, com participações de Babatunde Rabouin, Deonte Perry e Justus Olbert. O instrumental "Soulfly II" é uma sequência da faixa-título do primeiro álbum, explorando uma vasta gama de instrumentos como congas, piano, sitar, twang e diversos instrumentos de sopro. Asha Rabouin faz sua primeira aparição com a banda em "Flyhigh", enquanto "Pain" apresenta as colaborações de Chino Moreno do Deftones e Grady Avenell do Will Haven.
Legado
Primitive obteve um sucesso comercial notável, vendendo mais de 226.569 cópias até 2002. O álbum alcançou a posição 32 na Billboard 200 e a 11ª posição nas paradas independentes dos Estados Unidos, tornando-se o álbum de maior sucesso da banda no país. A recepção crítica foi predominantemente positiva e diversificada, com a Rolling Stone elogiando a profundidade do som e o "rosnado vivido" de Max Cavalera, enquanto a Q Magazine destacou o impacto dos grooves percussivos e étnicos. Melody Maker chegou a classificar Primitive como "o álbum de metal do ano até agora", elogiando sua "mistura incendiária de nu metal, reggae e ritmos brasileiros". A NME referiu-se a Max Cavalera como o "Bob Marley do heavy metal", notando a raiva política do artista. A Alternative Press descreveu o álbum como um trabalho de grande amplitude, que une o speed metal "pré-milênio" com hip-hop e instrumentais ambientais. Mais recentemente, em 2019, a canção "Jumpdafuckup" foi incluída por Joe Smith-Engelhardt da Alternative Press em sua lista das "10 principais faixas de nu-metal que ainda se sustentam hoje", solidificando o lugar do álbum como um pilar do gênero.
Análises
Discogs
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