Jazz Samba Encore!
Stan Getz & Luiz Bonfá
1963

Porque Merece Estar na Lista
Jazz Samba Encore! representa um marco na fusão da bossa nova com o jazz, sendo o terceiro trabalho do aclamado saxofonista norte-americano Stan Getz no gênero, desta vez em colaboração com o talentoso violonista brasileiro Luiz Bonfá. Lançado em 1963, este álbum solidificou a presença da bossa nova no cenário musical internacional, após o sucesso dos discos anteriores de Getz. A parceria entre Getz e Bonfá neste projeto da Verve resultou em uma sonoridade sofisticada e envolvente, que cativou públicos e críticos. O álbum não apenas explorou a riqueza melódica e rítmica da bossa nova, mas também reafirmou a capacidade de Getz em assimilar e reinterpretar com maestria os elementos desse estilo genuinamente brasileiro, ao lado da inventividade composicional de Bonfá.
Contexto
Jazz Samba Encore! surgiu no rastro do sucesso de dois álbuns anteriores de Stan Getz no universo da bossa nova, Jazz Samba e Big Band Bossa Nova, ambos de 1962. Estes trabalhos precedentes já haviam estabelecido a popularidade do gênero nos Estados Unidos, preparando o terreno para novas explorações e colaborações. Este álbum foi gravado em um período efervescente para a bossa nova nos Estados Unidos, logo após o histórico concerto no Carnegie Hall em 21 de novembro de 1962, que visava difundir a música popular brasileira. O cenário indicava um interesse crescente, embora a bossa nova começasse a enfrentar um declínio no Brasil.
Gravação
O álbum foi gravado em Nova Iorque, em fevereiro de 1963, marcando uma fase produtiva e colaborativa. Além de Stan Getz no saxofone tenor e Luiz Bonfá na guitarra, as sessões contaram com a participação de Antônio Carlos Jobim, que contribuiu com guitarra em algumas faixas e piano na canção "Insensatez (How Insensitive)", e Maria Toledo, que emprestou sua voz e vocalização a diversas músicas. A equipe de músicos ainda incluiu Tommy Williams, George Duvivier e Don Payne no contrabaixo, e Paulo Ferreira, José Carlos e Dave Bailey na bateria e percussão.
Músicas
A seleção de faixas em Jazz Samba Encore! oferece um panorama rico da bossa nova, com composições de Luiz Bonfá e da célebre parceria de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. Bonfá assina "Sambalero", "Samba de Duas Notas", "Menina Flor", "Mania de Maria", "Saudade Vem Correndo", "Um Abração no Getz" e as duas versões de "Ebony Samba". Notavelmente, "Samba de Duas Notas" faz uma referência explícita à clássica "Samba de uma Nota Só" de Tom Jobim. Entre as composições de Jobim e de Moraes, destacam-se "Só Danço Samba (I Only Dance Samba)", "Insensatez (How Insensitive)" e "O Morro Não Tem Vez (Favela)". A diversidade e a qualidade das composições demonstram a inventividade dos artistas brasileiros envolvidos no projeto, resultando em um repertório que alterna momentos de melancolia e de leveza.
Legado
Jazz Samba Encore! completa uma trilogia de sucesso de Stan Getz no gênero da bossa nova, alcançando reconhecimento tanto da crítica quanto do público. Apesar de sua popularidade, o álbum, junto aos seus antecessores, não atingiu o mesmo nível de vendas de artistas populares da época, como Elvis Presley ou Bobby Darin, em um período em que o jazz começava a perder espaço para o rock & roll. Contudo, a relevância do álbum transcendeu o período de seu lançamento. A canção "Saudade Vem Correndo", por exemplo, teve sua ponte proeminentemente sampleada pelo grupo de hip hop the Pharcyde em sua música "Runnin'" (1995) e interpolada por Mýa em "Fallen" (2003). Mais recentemente, em 2019, foi novamente sampleada na canção "Make Believe" do rapper Juice WRLD, demonstrando a duradoura influência e o apelo transgeneracional de suas melodias.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Creed Taylor
Maria Toledo
Don Payne, George Duvivier, Tommy Williams
Dave Bailey, José Carlos, Paulo Ferreira
Antonio Carlos Jobim, Luiz Bonfá
Olga Albizu
Antonio Carlos Jobim
Stan Getz
Val Valentin
Bob Simpson, Phil Ramone, Ray Hall
Dom Cerulli
Jim Marshall