Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara

Taiguara

1976

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Por Que Esse Disco é Importante

Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara, o décimo primeiro álbum de estúdio de Taiguara, é amplamente reconhecido como um marco fundamental tanto na carreira do músico quanto na história da música brasileira. Gravado no Brasil após um período de exílio do artista, o disco encapsula uma sonoridade inovadora e uma profunda expressão artística. Sua relevância é dramaticamente acentuada pelo seu destino inicial: em um período recorde de apenas 72 horas após seu lançamento, o álbum foi sumariamente banido e recolhido das lojas pela Ditadura Militar brasileira, com todas as cópias existentes destruídas. Este ato de repressão não só silenciou a obra por décadas, mas também catapultou o álbum para um status mítico, tornando-o um símbolo da resistência e da criatividade sufocada.

Contexto

O lançamento de Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara marcou o retorno de Taiguara ao Brasil em 1975, após um primeiro período de exílio no exterior. Durante sua estadia na Inglaterra, o artista já havia tentado gravar Let The Children Hear The Music, um trabalho que, ironicamente, foi censurado até mesmo fora do Brasil e nunca viu a luz do dia. Com a permissão para uma nova gravação pela EMI-Odeon em 1975, Taiguara buscou expressar suas visões em um cenário político ainda sob o jugo da Ditadura Militar. Contudo, o banimento imediato do álbum e a consequente destruição das cópias forçaram Taiguara a um novo exílio, desta vez para a Inglaterra e Tanzânia, impedindo-o de lançar um novo trabalho até 1983, com Canções de Amor e Liberdade.

Gravação

A gravação de Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara estendeu-se por aproximadamente seis meses, um processo que, segundo o diretor musical Wagner Tiso, foi influenciado pelo perfeccionismo de Taiguara, gerando pequenos atritos criativos. Ciente da implacável censura que já havia vetado seu álbum anterior e diversas canções, Taiguara empregou analogias poéticas e metáforas nas letras para driblar a repressão e comunicar suas ideias subversivas. Para assegurar a gravação, o músico chegou a usar pseudônimos e o nome de sua esposa, Gheisa Gomes Chalar da Silva, como autora das três canções consideradas mais provocadoras: "Terra das Palmeiras", "Situação" e "Público". As harmonias complexas do álbum foram concebidas coletivamente pelos talentosos músicos envolvidos, que incluíram o próprio Taiguara (voz, piano, sintetizador, mellotron, arranjos e orquestrações), Hermeto Pascoal (flauta, flauta baixo, arranjos e orquestrações), Toninho Horta (violão), Nivaldo Ornelas (sax e flauta), Novelli (baixo acústico), Zé Eduardo Nazário (percussão e bateria), Paulo Braga (bateria e percussão), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Ubirajara Silva (bandoneon) e Lúcia Morelenbaum (harpa), sob a regência de Wagner Tiso.

Músicas

As canções de Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara são um testemunho da sagacidade de Taiguara em tempos de repressão. O artista empregou analogias poéticas para disfarçar mensagens críticas, abordando temas profundos em letras que superficialmente pareciam tratar de outros assuntos. Em "Terra das Palmeiras", por exemplo, o verso que clama por uma "amada amordaçada" e um "sabiá" que não canta mais, evoca a supressão da liberdade, enquanto em "Primeira Bateria", a declaração "liberdade/quero até morrer por você" revela um compromisso inabalável. A vinheta de abertura, "Pianice", é uma peça sinfônica resultante dos estudos de Taiguara na Guildhall School of Music and Drama. A ironia também pontua o álbum, como em "Público", onde o verso "eles querem lotar o Maracanã/e precisam de mim, lá vou eu" satiriza a fase do artista como "ganhador de festivais". A emblemática "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, é reinterpretada na faixa "Aquarela de um país na lua". A ancestralidade indígena, africana e hispânica de Taiguara é reverenciada em composições como "A Volta do Pássaro Ameríndio", "Sete Cenas de Imyra", "Luanda, Violeta Africana" e "Como em Guernica", esta última interpretada em espanhol. O conceito do álbum é reforçado no encarte original, que traz a definição da palavra "Taiguara" do tupi-guarani "Taygoara", significando "forro, livre, senhor de si".

Legado

Apesar do banimento em 1976, o impacto de Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara ressoou globalmente. Produtores japoneses adquiriram os direitos autorais e lançaram o disco no Japão em 1980, mantendo viva sua relevância musical. No Brasil, o desejo de resgate da obra culminou em uma "Campanha de Repatriamento" em 2005, liderada pela filha de Taiguara, Imyra Chalar, que mobilizou cerca de 100 mil assinaturas. Essa mobilização massiva alcançou seu objetivo, e em 2013, Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara foi finalmente lançado oficialmente em todo o território nacional, com remasterização e lançamento pela gravadora Kuarup. Para celebrar este momento histórico, músicos que participaram da gravação original de 1976, como Wagner Tiso, Toninho Horta, Jaques Morelenbaum, Nivaldo Ornelas, Novelli e Zé Eduardo Nazário, realizaram um concerto especial em homenagem ao lançamento do álbum no Brasil.

Faixas

Créditos

Coprodução

Milton Miranda, Wagner Tiso

Regência, Piano

Wagner Tiso

Direção [Production]

Renato Corrêa

Vocais de Apoio

Lucinha, Malu, Marizinha, Nivaldo Ornelas, Novelli, Wagner Tiso

Vocais

Taiguara

Baixo Acústico

Novelli

Violão

Toninho Horta

Saxofone Alto

Jorge Ferreira Da Silva

Saxofone Alto, Clarinete

Netinho

Saxofone Barítono

Genaldo Medeiros

Cavaquinho

Neco

Violoncelo

Alceu De Almeida Reis, Ana Bezerra De Mello Devos, Edmundo Oliani, Giorgio Bariola, Jaques Morelenbaum, Jorge Kundert Ranevsky, Peter Dauelsberg, Watson Clis, Zygmunt Stanislaw Kubala

Concertina

Ubirajara Correia Da Silva

Bateria

Paulinho Braga

Flauta

Hermeto Pascoal, Mauro Senise, Raul Mascarenhas

Flauta, Piccolo Flute

Celso Woltzenlogel

Trompa

Toninho, Zdenek Svab

Harpa

Lúcia Morelenbaum

Oboé

Braz Limonge Filho

Percussão

Zé Eduardo Nazario

Saxofone

João Theodoro Meirelles, Nivaldo Ornelas

Saxofone Tenor

Walter Rosa, Zé Bodega

Trombone

Antônio Macaxeira, Edmundo Maciel

Trompete

Formiga, Heraldo, Maurilio

Viola

Arlindo Penteado, Géza Kiszely, Hindemburgo Pereira, Murilo Da Silva Loures

Violino

Adolpho Pissarenko, Alfredo Vidal, Cynira, Frantisek Bartik, Gentil Dias, GianCarlo Pareschi, Jorge Faini, José Alves Da Silva, José Dias De Lana, Marcello Pompeu Filho, Nathercia Teixeira, Octávio Miranda Ilha, Otávio Canabrava Waladares, Paschoal Perrota, Ricardo Wagner, Robert Arnaud, Salvador Piersanti, Walter Hack, Wilson Teodoro

Engenheiro de Som

Dacy Rodrigues, Sérgio Bittencourt, Toninho

Engenheiro de Som [Remix]

Nivaldo Duarte

Corte

Osmar Furtado

Layout, Fotografia

Thomas Michael Lewinsohn

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