Embalo
Tenório Jr.
1964

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Por Que Esse Disco é Importante
Embalo, lançado em 1964, é a única obra solo do pianista Tenório Jr. e figura como um marco essencial na música instrumental brasileira. O álbum é a representação mais autêntica do samba-jazz, um gênero que floresceu nas noites cariocas dos anos 60, misturando a riqueza rítmica do samba com a sofisticação harmônica e o improviso do jazz, especialmente do bebop. Este trabalho singular revela Tenório Jr. não apenas como um pianista virtuoso, mas também como um compositor de grande criatividade e um arranjador inovador. Ele mescla influências da bossa nova, do samba e da gafieira, resultando em um disco contagiante e de performance coesa, que ressoa com a mesma energia de sua gravação original mesmo décadas depois.
Contexto
Tenório Jr. era uma figura proeminente na efervescente cena musical do Rio de Janeiro nos anos 1960, frequentando o lendário Beco das Garrafas, em Copacabana, um verdadeiro laboratório de experimentação onde a bossa nova e suas fusões com o jazz eram gestadas. Em 1964, ano do lançamento de Embalo, Tenório Jr. já era um músico de estúdio requisitado, tendo contribuído com seu piano em álbuns antológicos de outros artistas. Embalo, no entanto, representou sua primeira e única incursão como líder de um projeto solo, onde pôde exercer controle total sobre todos os aspectos criativos e técnicos.
Gravação
Embalo foi gravado entre fevereiro e março de 1964 nos estúdios da gravadora RGE, no Rio de Janeiro. Tenório Jr. teve total liberdade criativa para a concepção do álbum, desde a escolha dos temas e arranjos até os detalhes técnicos de estúdio, engenharia de som e a arte da capa, conforme ele mesmo descreveu na contracapa da prensagem original. O disco contou com uma constelação de talentosos músicos da época, incluindo Milton Banana e Ronnie na bateria, Sergio Barroso Netto e José Antonio Alves no baixo, Celso Brando e Neco no violão, Pedro Paulo e Maurílio nos pistões, Edson Maciel e Raul de Souza no trombone, Paulo Moura (que também assina arranjos) e J.T. Meirelles nos saxofones, além de Rubens Bassini no atabaque. A gravação original foi realizada em mono, uma prática comum para a época.
Músicas
O repertório de Embalo é composto tanto por faixas autorais de Tenório Jr., como a faixa-título "Embalo", quanto por versões inspiradas de composições de grandes nomes da música brasileira e internacional. Entre as releituras, destacam-se "Inútil Paisagem" de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, "Consolação" de Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Sambinha" de Bud Shank e "Fim de Semana em Eldorado" de Johnny Alf. A faixa de abertura, "Embalo", composta e arranjada por Paulo Moura, já demonstra a clara influência do bebop com uma marcante pegada brasileira e solos de sopro. Em "Inútil Paisagem", Tenório Jr. inova ao inverter os papéis tradicionais dos instrumentos, com o piano assumindo o tema principal em diálogo com os sopros. "Fim de Semana em Eldorado" é transformada em um vibrante samba-jazz, impulsionado por um power trio energético.
Legado
Embalo é amplamente reconhecido como uma obra-prima do instrumental brasileiro e um marco do samba-jazz, sendo considerado por muitos músicos e pesquisadores como um álbum à frente de seu tempo. O disco tem sido continuamente redescoberto e reeditado em diferentes formatos, incluindo vinil, evidenciando sua relevância duradoura e sua capacidade de influenciar novas gerações de artistas. A tragédia do desaparecimento de Tenório Jr. em 1976, em circunstâncias políticas na Argentina, adiciona uma camada de melancolia e importância histórica à sua única obra solo.
Discogs
Embalo – Discogs
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