Piraretã

Tetê

1980

Capa de Piraretã
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Piraretã, lançado em 1980, marca a estreia solo de Tetê Espíndola e se destaca como uma obra singular na MPB, misturando de forma inovadora regionalismo pantaneiro com elementos de rock, sonoridades medievais e místicas. O álbum é notável por sua abordagem quase toda acústica e por transportar o ouvinte para uma atmosfera bucólica e natural, característica intrínseca à identidade artística de Tetê. A voz peculiarmente aguda, metálica e afinada de Tetê, que lhe renderia mais tarde a alcunha de "mulher-pássaro" ou "pássaros na garganta" pelo poeta Augusto de Campos, é um dos pilares que definem a sonoridade do disco, conferindo-lhe uma originalidade ímpar. Este trabalho se revela um retrato sensível do Pantanal, abordando sua riqueza natural e a urgência da preservação ambiental, reforçando a profunda conexão da artista com sua terra natal, Mato Grosso do Sul.

Contexto

Antes de Piraretã, Tetê Espíndola já havia trilhado um caminho musical significativo, vindo de uma família de talentosos músicos do Mato Grosso do Sul. Ela iniciou sua carreira integrando o grupo Luz Azul e, posteriormente, o Tetê & o Lírio Selvagem, que lançou um álbum aclamado em 1978 pela Polygram/Philips. Sua experiência com esses grupos e a colaboração com o compositor Arrigo Barnabé antes de seu primeiro trabalho solo foram cruciais para a consolidação de seu estilo agreste e pantaneiro, que se tornaria sua marca registrada.

Gravação

O álbum Piraretã foi gravado em 16 canais nos Estúdios Reunidos, em São Paulo, evidenciando uma produção cuidadosa para a época. A direção de produção e estúdio ficou a cargo de Marcos Maynard, com Roberto Marques responsável pela gravação e mixagem, e Rafael Tartaglio como assistente de produção. A sonoridade característica do disco é enriquecida pela utilização de instrumentos "atípicos" para o cenário musical da época, como craviola, violão, viola caipira (tocada por Almir Sater), charango, marimba, harpa paraguaia e rabeca. Essa instrumentação, combinada com arranjos vocais fantásticos, contribuiu para a atmosfera sui generis e a riqueza textural do álbum.

Músicas

As canções de Piraretã são um mosaico de composições próprias, muitas em parceria com seus irmãos, e releituras significativas. A faixa-título, "Piraretã", composta por Tetê e Celito Espíndola, é um vívido panorama do Pantanal, com a letra detalhando a fauna e flora local e expressando admiração e alerta para a preservação ambiental. Outros destaques incluem a interpretação de "Refazenda" de Gilberto Gil, com arranjos lindíssimos, e a genial versão de "Blackbird" dos Beatles, rebatizada como "Melro" por Carlos Rennó, que manteve a essência da original com uma adaptação poética. O álbum também apresenta "Tamarana", de Arrigo e Paulo Barnabé, com as peculiares intervenções vocais de Arrigo, e regravações de "O Cio da Terra" de Chico Buarque e Milton Nascimento, e "Matogrossense" de Tião Carreiro, Carlito e Lourival dos Santos. A faixa "Vida Cigana", de Geraldo Espíndola, é outra composição notável do álbum.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Arranjo

Almir Sater, Arrigo Barnabé, Claudio Leal Ferreira, Geraldo Espíndola, Geraldo Espíndola, Tetê Espíndola

Coprodução

Rafael Tartaglio

Produção

Luiz Carlos Maluly

Produção, Direção

Marcos Maynard

Participação

Alzira Espindola, Geraldo Espíndola, Zé Eduardo Nazario

Edição

Edson Meireles

Gravação, Mixagem

Roberto Marques

Arte

Mariano Martins

Capa

Aldo Luiz

Fotografia [Cover]

Mario Luiz Thompson

Fotografia [Insert]

Penna Prearo

Referências