Mil Coisas Invisiveis

Tim Bernardes

2022

Capa de Mil Coisas Invisiveis
Top 100

Ranking nas Listas

Por Que Esse Disco é Importante

Mil Coisas Invisíveis, de Tim Bernardes, é um trabalho que se destaca no cenário da MPB contemporânea por sua natureza introspectiva e sonoridade delicada. Lançado em 2022, o álbum se desenrola como uma obra de arte luminosa e de combustão lenta, que permanece na mente como um sonho inesquecível. É uma experiência profundamente pessoal e paciente, com uma beleza tão esparsa que parece ser feita de ar, conferindo-lhe uma atemporalidade rara. O estilo do disco transita entre o indie, o folk e toques de psicodelia sutil, orquestrações pop e o calor da bossa nova, conectando as raízes da Tropicália e do samba com influências contemporâneas. A voz de Bernardes, ora terna e ligeiramente marcada, ora densa e agilmente controlada, transporta arranjos delicados de piano, violão e cordas, criando uma atmosfera de intimidade e reflexão. As composições exploram temas filosóficos e existenciais sem a pretensão de serem excessivamente profundas, abordando a melancolia de forma suave, como uma emoção com a qual se deseja permanecer.

Contexto

Antes de Mil Coisas Invisíveis, Tim Bernardes já era uma figura proeminente na música brasileira como frontman do O Terno, um trio de psych-pop de São Paulo que há uma década vinha redefinindo o rock nacional com discos lúdicos e com uma dose de nostalgia retrô. O álbum de 2022 é seu segundo trabalho solo, sucedendo o aclamado Recomeçar, lançado em 2017. Mesmo com o foco em sua carreira solo, Bernardes manteve-se ativo com O Terno, lançando Atrás/Além em 2019. As canções de Mil Coisas Invisíveis foram majoritariamente escritas durante as turnês com O Terno, mas, no início de 2020, Bernardes decidiu afastar-se da vida de estrada para se dedicar a estas novas composições. A solidão imposta pela pandemia também ressoou em sua música, influenciando as meditações sobre transformação metafísica diante da incerteza. Bernardes, que cresceu em um ambiente musical com um pai músico, é um artista com raízes profundas na herança musical brasileira e já colaborou com ícones como Gal Costa, Tom Zé, David Byrne e Fleet Foxes.

Gravação

Tim Bernardes assumiu um papel multifacetado na criação de Mil Coisas Invisíveis, sendo responsável por compor, tocar a maioria dos instrumentos, produzir, dirigir, mixar e arranjar todo o álbum. Essa abordagem de controle total permitiu que o disco tivesse uma coesão artística notável, refletindo sua visão singular. Gui Jesus Toledo foi creditado pela supervisão geral de engenharia de som. Lançado pelos selos Coala Records e Psychic Hotline, o álbum possui uma sonoridade primorosa, que evoca o calor da música folk das décadas de 1960 e 1970, mas com uma clareza e definição de som inegavelmente modernas. O resultado é um trabalho que equilibra a tradição com a inovação, demonstrando a habilidade de Bernardes como instrumentista, arranjador e produtor.

Músicas

Com 15 faixas e quase uma hora de duração, Mil Coisas Invisíveis se desdobra em uma narrativa existencialista e diarística, com versos autobiográficos que são, por vezes, descritivos, longos e convidativos à introspecção. Os temas centrais incluem o amor, a perda, a passagem da vida, questões existenciais e reflexões sobre a inevitabilidade do tempo. O título do álbum, Mil Coisas Invisíveis, ressalta a ideia das forças ocultas que moldam nossa realidade, onde a ilusão e a fantasia se entrelaçam. Canções como "Nascer, Viver, Morrer" estabelecem o tom do disco, sendo uma reflexão pálida e pensativa sobre a vida e a morte, sintetizando muitas das inquietações exploradas ao longo do trabalho. Em "Fases", Bernardes canta sobre a ruptura com antigos laços e a transição para a vida adulta, enquanto "Meus 26" aborda a sensação de estar preso entre um fim e um recomeço. A nostálgica "Velha Amiga" reflete sobre a jornada da vida, e "Última Vez" é frequentemente destacada como uma das mais belas e pungentes coleções contemporâneas de versos sobre reencontros com um grande amor do passado. A canção "Beleza Eterna" ainda conta com os vocais de Dora Morelenbaum e Zé Ibarra, do Bala Desejo.

Legado

Mil Coisas Invisíveis consolidou a posição de Tim Bernardes como um dos talentos musicais mais profundos de sua geração no Brasil. O álbum foi recebido com amplo reconhecimento da crítica, sendo elogiado por publicações especializadas por sua sensibilidade e profundidade. A sonoridade e a ressonância emocional do trabalho foram amplamente destacadas, descritas como quentes, íntimas e curativas. A repercussão do disco impulsionou a carreira internacional de Bernardes, levando-o a realizar turnês bem-sucedidas pelos Estados Unidos e Europa, além do Brasil. Embora a menção de estar entre os 100 melhores discos da música brasileira seja um indicativo do seu impacto, é importante notar que a inclusão em listas oficiais renomadas geralmente demanda um tempo maior de maturação crítica e relevância histórica para um álbum lançado tão recentemente. No entanto, o consenso em torno de Mil Coisas Invisíveis aponta para sua relevância duradoura na MPB.

Faixas

Créditos

Direção [Direção]

Tim Bernardes

Produção [Produção]

Tim Bernardes

Composição [Composições], Arranged By [Arranjos]

Tim Bernardes

Image Editor [Tratamento De Imagem]

Marcela Dini

Engenheiro de Som [Supervisão Geral De Engenharia De Som]

Gui Jesus Toledo

Corte

Andreas Kauffelt

Masterização [Masterizado]

Gui Jesus Toledo

Mixagem [Mixado]

Tim Bernardes

Gravação [Coros]

Leo Shogun

Gravação [Gravado]

Gui Jesus Toledo, Tim Bernardes

Gravação [Vozes]

Tó Brandileone

Capa [Capa]

Isabela Vdd, Tim Bernardes

Design Gráfico [Design Gráfico]

Isabela Vdd

Fotografia [Foto Da Capa]

Isabela Vdd, Marco Lafer

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O disco da vez foi Mil Coisas Invisíveis, do compositor Tim Bernardes.   Link para o disco - https://www.youtube.com/watch?v=zHpG91DMads  A nossa opinião é somente a nossa opinião, deixe a sua nos comentários também.   Nos siga no Twitter   Marlon - https://twitter.com/warmturtle141  Panda - https://twitter.com/saxopanda

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George Soares

Análises

Crítica | Tim Bernardes: "Mil Coisas Invisíveis"

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