Tim Maia
Tim Maia
1970

Porque Merece Estar na Lista
Tim Maia, o álbum de estreia do icônico cantor e compositor brasileiro de mesmo nome, lançado em junho de 1970, marcou um ponto de virada fundamental na música brasileira. Com ele, o artista consolidou sua sonoridade única, mesclando de forma inovadora o soul e o funk com elementos da música popular brasileira, como o baião. Este trabalho seminal apresentou ao público a essência do que se tornaria a marca registrada de Tim Maia, caracterizada por sua voz potente e arranjos sofisticados. O disco não só apresentou um novo som ao cenário musical, mas também lançou canções que se tornariam clássicos instantâneos e peças fundamentais do repertório brasileiro. Faixas como "Coroné Antônio Bento", "Eu Amo Você", "Primavera (Vai Chuva)" e "Azul da Cor do Mar" destacam-se como exemplos da versatilidade e do talento de Tim Maia como intérprete e compositor, revelando a alma do soulman carioca desde o seu primeiro grande passo. Sua receptividade calorosa pelo público desde o lançamento pavimentou o caminho para uma das carreiras mais influentes da música nacional.

De uma hora para outra, surgiu aquele vozeirão capaz de impressionar até Elis Regina, e o funk e o soul brasileiros descobriam seu intérprete definitivo.
Ramiro Zwersch · Rolling Stone Brasil
Contexto
Antes do lançamento de seu álbum de estreia, Tim Maia já havia feito incursões no cenário musical brasileiro. Após retornar ao Brasil, suas composições começaram a ganhar destaque, como "Não Vou Ficar", que se tornou um grande sucesso na voz de Roberto Carlos em dezembro de 1969. Apesar de ter lançado dois compactos próprios, "Meu País" / "Sentimento" (1968) e "These Are the Songs" / "What Do You Want to Bet" (1969), ambos tiveram vendas decepcionantes, indicando um início de carreira desafiador. A sorte de Tim Maia começou a mudar com sua contratação pelo selo Polydor, parte da gravadora CBD-Philips. O novo diretor artístico, Jairo Pires, que o conhecera anteriormente, foi fundamental para sua entrada. Além disso, Os Mutantes e Erasmo Carlos haviam feito propaganda de Tim para André Midani, presidente da gravadora. Um momento decisivo ocorreu quando Nelson Motta, produzindo o disco de Elis Regina, ouviu Tim gravar "Primavera (Vai Chuva)" e o convidou para mostrar suas canções a Elis. A cantora gaúcha gravou "These Are the Songs" em dueto com Tim, e a repercussão interna dessa gravação acelerou o processo de produção de seu próprio álbum.
Gravação
O processo de gravação do álbum Tim Maia teve início em agosto de 1969, com sessões no estúdio Scatena, em São Paulo, sob a produção de Arnaldo Saccomani. Neste período inicial, duas faixas foram registradas: "Jurema" e "Primavera (Vai Chuva)". As gravações foram retomadas em dezembro de 1969 no mesmo estúdio, onde foram gravadas as bases instrumentais. Posteriormente, os vocais de Tim, os vocais de apoio e os arranjos de cordas e orquestra foram finalizados nos estúdios CBD, no Rio de Janeiro, sob a direção de Jairo Pires, completando a produção do disco que seria lançado no ano seguinte.
Músicas
O álbum se abre com a vibrante "Coroné Antônio Bento", uma mistura envolvente de soul e baião de João do Vale e Luiz Wanderley, que Tim Maia decidiu registrar após adorar a execução pelos Diagonais em um ensaio. Devido à decisão de última hora, Camarão, dos Diagonais, acabou cantando a segunda parte da letra. Em seguida, "Cristina" surge como um soul que Tim compôs em parceria com Carlos Imperial, inspirada nos quadris da empregada de uma amiga. A energia continua com "Jurema", um funk de andamento rápido pontuado por metais à la Motown, também dedicada a uma mulher. "Padre Cícero" mantém a fusão de soul e baião, com um clima épico que narra a história do ícone religioso brasileiro. O lado A encerra e o lado B se inicia com uma sequência de composições de Cassiano: "Você Fingiu", "Eu Amo Você" e o grande sucesso "Primavera (Vai Chuva)", todas enriquecidas pelos vocais de apoio dos Diagonais e arranjos de cordas românticas no estilo Isaac Hayes, assinados pelos maestros Waltel Branco e Waldir Arouca Barros. Destaca-se também "Azul da Cor do Mar", uma canção composta por Tim durante um período de dificuldades, inspirada em um pôster de parede.

Sebastião “Tim” Rodrigues Maia fez parte da mesma turma da Rua do Matoso, na Praça da Bandeira, Grande Tijuca, Rio de Janeiro, que Roberto e Erasmo Carlos.
Arthur Dapieve · 300 Discos Importantes
Legado
Lançado em junho de 1970, o álbum Tim Maia foi impulsionado por uma forte divulgação, especialmente pelo compacto que continha "Primavera (Vai Chuva)", que obteve excelente execução nas rádios. O disco alcançou um sucesso comercial expressivo, ultrapassando a marca de 200 mil cópias vendidas e rendendo a Tim Maia um disco de ouro logo em seu lançamento. A recepção crítica também foi positiva; o crítico Carlos Vergueiro, na época, elogiou a interpretação de Tim em "Primavera" e considerou esta e outras nove faixas como as melhores de 1970. A relevância duradoura do álbum é atestada por seu reconhecimento posterior, sendo eleito pela revista Rolling Stone Brasil como o 25º melhor disco brasileiro de todos os tempos, solidificando seu lugar na história da música do país.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Claudio Roditi, Waldir De Barros, Waltel Branco
Tim Maia
Paulinho Braga
Capacete, Zé Carlos
Cassiano
Guilherme Franco
Carlinhos
Arnaldo Saccomani, Jairo Pires
Garoto Da Portela
Ary Carvalhaes, Célio Martins, João Kibelkstis, João Moreira, Marcus Vinicius
Joaquim Figueira
Aldo Luiz
