Tim Maia (1971)

Tim Maia

1971

Capa de Tim Maia (1971)
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Porque Merece Estar na Lista

Tim Maia, o segundo álbum autointitulado do "Síndico" lançado em 1971, consolidou o artista como uma força inconfundível na música brasileira, refinando sua já potente fusão de soul, funk, R&B e MPB. O disco é um marco por sua sonoridade contagiante, cheia de balanço e emoção, que integrou influências da música negra americana com ritmos genuinamente brasileiros, como o baião e o samba. Com arranjos mais ricos e ritmos mais precisos, este trabalho apresenta a voz inconfundível e rasgada de Tim Maia, combinando intensidade emocional com uma energia voltada para a pista de dança. É um álbum que demonstra a maestria de Tim em criar uma identidade musical singular, que não era nem tropicalista, nem puramente MPB, nem rock, mas sim "quintessencialmente brasileira" e "Tim Maia".

Para Tim, não importava muito o gênero musical, uma vez que ele adaptava tudo para sua interpretação.

Antônio do Amaral Rocha · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Após o estrondoso sucesso de seu álbum de estreia em 1970, que vendeu mais de 200 mil cópias e rendeu a Tim Maia prêmios de artista revelação, o cantor carioca desfrutava de um prestígio sem precedentes em sua gravadora, a CBD-Philips. Essa posição lhe conferiu plena liberdade criativa para a gravação do seu segundo disco. Além disso, Tim Maia realizava shows com plateias lotadas e gozava de quase unanimidade entre a crítica especializada, estabelecendo-se rapidamente como uma das maiores estrelas da música brasileira.

Gravação

Aproveitando a liberdade artística conquistada, Tim Maia optou por gravar seu segundo álbum nos Estúdios Somil, em Botafogo, Rio de Janeiro, em vez dos estúdios de sua gravadora. A banda que o acompanhou manteve-se praticamente a mesma, com a notável mudança dos guitarristas: Cassiano foi substituído por Hyldon e Paulinho Guitarra, então jovens talentos com apenas 17 e 16 anos, respectivamente. A produção do álbum foi assinada pelo próprio Tim Maia, com direção de arte de Jairo Pires e a engenharia de som a cargo de Célio Martins, enquanto o corte de acetato foi realizado por Joaquim Silva. Além da banda principal, o conjunto As Gatas contribuiu com os vocais de apoio na faixa de maior sucesso do disco, adicionando uma camada extra de riqueza sonora.

Músicas

O álbum se destaca por uma "fusão ambiciosa e inovadora de gêneros", que misturava soul e funk com samba e baião, incorporando até "pitadas de jazz, psicodelia e rock". O Lado A abre com "A Festa do Santo Reis", de Márcio Leonardo, uma faixa que combina baião e soul, remetendo à sonoridade de "Coroné Antônio Bento" do disco anterior. O grande sucesso e motor de vendas do álbum foi "Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)", um samba-soul emblemático e considerado uma das maiores músicas de todos os tempos. Outro destaque é "Você", uma canção melancólica e grandiosa, já gravada por Eduardo Araújo. Tim também regravou outras composições suas que ganharam notoriedade na voz de outros artistas, como "Não Vou Ficar" (gravada por Roberto Carlos) e "Meu País", lançada em compacto pelo próprio Maia. Além disso, o disco surpreende com a inclusão de "Preciso Aprender a Ser Só", um clássico da bossa nova dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, demonstrando suas raízes nesse estilo. O álbum também inovou ao apresentar faixas em inglês, como "I Don't Know What to Do with Myself", parceria de Maia com Hyldon, um samba-soul com letra internacional.

Legado

Lançado em 1971, o álbum foi um sucesso imediato, com "excelente vendagem" e "divulgação adequada", impulsionado pela crescente fama de Tim Maia. A crítica especializada elogiou extensivamente o trabalho, com Zé Rodrix da revista Rolling Stone destacando a "independência de Tim Maia, sua fusão de ritmos brasileiros com americanos" e a completude dos créditos. O disco lançou dois dos maiores sucessos do cantor, "Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)" e "Você", que se tornaram clássicos atemporais da música brasileira. Considerado um álbum inovador e de "gêneros múltiplos", ele foi aclamado pela crítica e obteve "sucesso comercial". Ao longo dos anos, a importância de Tim Maia (1971) foi ratificada. A versão brasileira da revista Rolling Stone o elegeu como o 25º melhor disco brasileiro de todos os tempos, uma posição ainda mais elevada que a inicialmente citada, que o colocava como o 75º. O álbum é visto como um marco que "mudou o jogo", introduzindo a música negra moderna dos EUA na música popular nacional, conectando funk e baião, aproximando o soul da bossa nova e abrindo caminhos para novas formas de música que eram "quintessencialmente brasileiras". A voz "grave e aveludada" de Tim Maia neste álbum, e em sua discografia como um todo, é creditada por "iniciar o movimento Black Rio" e dar voz à população negra no Brasil, influenciando gerações de artistas e gêneros como o baile funk e o hip-hop brasileiro.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção [Production]

Jairo Pires

Vocais de Apoio

Dinorah, Euridice, Graça Lami, Renata Lú, Zenilda

Acordeão, Órgão

Peter

Violão, Vocais, Produção

Tim Maia

Saxofone Barítono

Aurino Ferreira

Baixo

Capacete

Violoncelo

Alceu De Almeida Reis, Ana Bezerra De Mello Devos

Bateria

Paulinho Braga

Guitarra Solo

Paulinho Guitarra

Percussão

Chacal

Guitarra Base

Hyldon

Saxofone Tenor

Zé Bodega

Trombone

Silvio, Zeca Do Trombone

Trompete

Darcy Da Cruz, Waldir De Barros

Vibrafone

Pinduca

Viola

Murilo Da Silva Loures, Nelson De Macedo

Violino

Adolpho Pissarenko, Gentil Dias, Homero Gelmini, Marcello Pompeu Filho, Nathercia Teixeira, Octávio Miranda Ilha, Otávio Canabrava Waladares, Pesach Nisembau, Quinidio Faustino Teixera

Engenheiro de Som

Célio Martins

Corte

Joaquim Silva

Layout

Aldo Luiz

Fotografia

Fernando Bergamasche, José Melo

Referências