Tim Maia Racional, Vol. 2

Tim Maia

1975

Capa de Tim Maia Racional, Vol. 2
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Tim Maia Racional, Vol. 2 é considerado um dos pontos altos da prolífica carreira de Tim Maia, destacando-se por seus arranjos sofisticados e pela potência e qualidade da voz do cantor. Lançado no início de 1975, o álbum representa um período singular na trajetória do artista, profundamente influenciado por sua conversão à doutrina da Cultura Racional. Essa fase trouxe uma sonoridade distinta, com canções que se aprofundam no soul e funk norte-americano, remetendo a nomes como Barry White, Marvin Gaye e George Clinton. A temática das letras, dedicada à propagação da seita, conferiu ao trabalho uma singularidade temática, destoando da produção musical convencional da época.

#49

Volume 2 é seu trabalho mais voltado para o funk e registra uma banda absurdamente afiada – sem esquecer de que o vozeirão do cantor, momentaneamente afastado das drogas e do álcool, estava no seu auge.

Ramiro Zwersch · Rolling Stone Brasil

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Contexto

Antes de Tim Maia Racional, Vol. 2, Tim Maia havia recebido uma proposta tentadora da gravadora RCA, oferecendo total liberdade artística para gravar um álbum duplo. O contrato permitia que ele escolhesse repertório, músicos, estúdio e técnicos, além de estipular um valor significativo a título de luvas. Com essa liberdade, Maia passou a ensaiar e compor em sua própria editora musical, a Seroma, seguindo sua prática habitual antes de gravar, enquanto continuava a se apresentar pelo país.

Gravação

As gravações ocorreram nos estúdios da RCA, no Rio de Janeiro, entre julho e agosto de 1974. Inicialmente, Tim Maia registrou as bases das músicas, muitas das quais ainda sem letras. Durante o processo, no final de julho de 1974, Tim visitou o amigo Tibério Gaspar e descobriu o livro Universo em Desencanto, da seita Cultura Racional. Essa descoberta o levou à conversão, resultando na alteração de letras existentes e na criação de novas, todas enaltecendo a doutrina da seita. A gravadora RCA, inicialmente entusiasmada com o material, manifestou preocupação com a nova direção religiosa das letras e o impacto comercial potencial. Diante da recusa da RCA em comprar o material, alegando insatisfação com o conteúdo e temendo a reação da ditadura militar brasileira, Tim Maia decidiu prensar e distribuir o álbum por conta própria. Ele transformou sua editora musical, Seroma, em um selo fonográfico, terceirizando a prensagem para a fábrica Tapecar e a impressão das capas para gráficas locais, lançando o disco de forma independente.

Músicas

O lado A do álbum abre com a faixa "Quer Queira Quer não Queira", uma parceria com Fábio, que apresenta um soul com forte acentuação de música africana e caribenha. Segue-se "Paz Interior", um samba-soul composto por Edson Trindade, com uma letra de caráter autobiográfico. A terceira canção, "O Caminho do Bem", é um funk lento e cadenciado, assinado por Beto Cajueiro, Serginho Trombone e Paulinho Guitarra, caracterizado por teclados minimalistas e guitarra wah-wah, onde o título é repetido como um mantra. "Energia Racional" transforma a vinheta do primeiro disco em um mantra sobre uma base musical dançante e repetitiva, e o lado é encerrado por "Que Legal", uma canção funkeada com influências de mambo, salsa e rumba, notáveis na percussão. O lado B começa com "Cultura Racional", outra composição de Beto Cajueiro, que era uma balada romântica convertida em propaganda para a seita. "O Dever de Fazer Propaganda deste Conhecimento", de Robson Jorge, segue a mesma linha, sendo uma balada tipicamente soul dos anos 1970. "Guiné Bissau, Moçambique e Angola Racional" retorna ao tema africano com uma visão otimista, intercalada por um solo de guitarra com forte pegada rock. O álbum conclui com uma segunda versão de "Imunização Racional (Que Beleza)", novamente com a percussão e os metais remetendo a tons africanos.

Legado

No período de seu lançamento, Tim Maia Racional, Vol. 2 foi amplamente ignorado pela crítica especializada e registrou vendas inexpressivas, em grande parte devido ao baixo apelo comercial das letras devotas à seita Cultura Racional e à distribuição semi-amadora pelo selo independente do artista. Mesmo com as tentativas de Tim Maia de apagar o disco da memória popular, destruindo cópias e proibindo relançamentos, o álbum desenvolveu um notável status cult ao longo dos anos. Os vinis originais tornaram-se itens raros e caros para colecionadores. A partir dos anos 1990, com o resgate da música negra brasileira da década de 1970, cresceu a demanda por relançamentos, que só ocorreram após a morte do artista. Em 2019, o álbum foi disponibilizado em serviços de streaming. Apesar do desgosto do próprio Tim Maia e da recepção inicial morna, o álbum é hoje considerado um dos melhores momentos de sua carreira, elogiado por sua qualidade sonora que evoca nomes do soul e funk norte-americano. Em 2007, a revista Rolling Stone Brasil reconheceu sua importância, listando-o como o 49º melhor disco brasileiro de todos os tempos. A faixa "O Caminho do Bem" foi inclusive incluída na trilha sonora do filme Cidade de Deus.

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Faixas

Referências

Livros