Acústico MTV
Titãs
1997

Porque Merece Estar na Lista
Acústico MTV, o segundo álbum ao vivo dos Titãs, lançado em 1997, representa um marco significativo na carreira da banda e no cenário musical brasileiro. O projeto foi concebido com a intenção de "radicalizar", explorando arranjos com orquestra e distanciando-se do tradicional rock'n'roll do grupo, em uma busca por algo "totalmente diferente". A banda encarou a gravação como um desafio, buscando provar que os Titãs poderiam ser distintos de si mesmos e ainda manter a mesma qualidade artística. O álbum, que celebrou os 15 anos da banda, foi um "desafogo" para o grupo, que visava ampliar seu público e retornar às rádios. Membros da banda, como Nando Reis, expressaram a importância de ser popular sem mediocrizar o trabalho, reconhecendo que sua vocação não era ser underground. Ao transformar sucessos consagrados em versões acústicas, os Titãs correram riscos e o resultado ampliou a percepção de sua capacidade artística, demonstrando uma faceta mais sofisticada e versátil de seu repertório.
Contexto
Inicialmente, os Titãs demonstraram grande relutância em participar do projeto Acústico MTV, resistindo à ideia por cerca de três a quatro anos. A banda só aceitou após ser convencida pela gravadora e pela própria MTV, que destacaram o sucesso do formato em outros países, impondo a condição de que a apresentação fosse montada à sua maneira. O presidente da gravadora, André Midani, expressou ceticismo, questionando a capacidade da banda de punk rock de adaptar suas músicas para um formato acústico, insinuando que seria como tocar "bossa nova". Nando Reis, então vocalista e baixista, acredita que o Acústico dos Titãs estabeleceu um novo padrão para os shows da série Acústico MTV, especialmente no que tange à inclusão de convidados especiais. Um crítico da época, Álvaro Pereira Júnior, chegou a acusar a banda de ser "artificial" e de sempre tentar ser o que não era, comparando-os aos pagodeiros do Negritude Júnior e afirmando que os Titãs se moldaram pela MPB pretensiosa, tentando diferentes estilos como new wave, grunge e punk ao longo de sua trajetória.
Gravação
O Acústico MTV dos Titãs foi gravado nos dias 6 e 7 de março de 1997, no prestigiado Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, sendo transmitido pela MTV Brasil em 22 de maio do mesmo ano. O projeto resultou em um CD e um VHS, com uma versão em DVD lançada posteriormente em 2002. Para a gravação, a banda contou com a colaboração de notáveis convidados, incluindo o argentino Fito Páez, Marisa Monte, o jamaicano Jimmy Cliff e o ex-membro Arnaldo Antunes. Fito Páez participou da versão em vídeo de "Televisão" e cantou em "Go Back", enquanto a versão em CD de "Televisão", gravada em estúdio, contou com a participação de Rita Lee e Roberto de Carvalho. O CD também apresentou uma vinheta de "Cabeça Dinossauro" com a voz de Marina Lima. A concepção dos arranjos de metais e sopros foi confiada a Jaques Morelenbaum. Para os ensaios, o septeto alugou uma casa na Granja Viana, residência do guitarrista Marcelo Fromer. O álbum marcou o reencontro da banda com o produtor Liminha, com quem já haviam trabalhado até Õ Blésq Blom, e que havia se reaproximado da banda para a gravação do single "Pela Paz".
Músicas
O repertório do álbum foi abrangente, incluindo faixas de quase todos os discos anteriores da banda, com a notável exceção de Tudo ao Mesmo Tempo Agora e Domingo. Além das regravações, o Acústico MTV introduziu quatro canções inéditas: "Os Cegos do Castelo", "Nem 5 Minutos Guardados", "A Melhor Forma" e "Não Vou Lutar". Cada uma dessas inéditas foi interpretada por um dos vocalistas da formação da época: Nando Reis, Sérgio Britto, Branco Mello e Paulo Miklos, respectivamente. É interessante notar que "A Melhor Forma", "Nem 5 Minutos Guardados" e "Não Vou Lutar" eram composições antigas, resgatadas para o projeto, sendo as duas primeiras originalmente criadas para o álbum Õ Blésq Blom. Houve planos para que Marisa Monte cantasse em "Os Cegos do Castelo", e a gravação chegou a ser realizada, mas ela acabou participando em "Flores". A canção "Go Back" foi apresentada em uma versão em espanhol, adaptada por Martin Cardoso para Os Paralamas do Sucesso, à qual Sérgio Britto acrescentou versos de Pablo Neruda. Britto também incorporou versos de Bob Marley em "Homem Primata". A versão de "Pra Dizer Adeus" foi a escolhida para ser veiculada nas rádios.
Legado
O Acústico MTV dos Titãs alcançou um estrondoso sucesso comercial, conquistando a certificação de diamante com mais de 1,7 milhão de vendas, tornando-se o segundo disco mais vendido da série Acústico MTV no Brasil, apenas atrás do Kid Abelha. O álbum vendeu 180 mil cópias em menos de um mês, atingiu 500 mil até agosto de 1997 e, em poucos dias, superou 700 mil, tornando-se o álbum mais vendido da carreira da banda até aquele momento. Em outubro de 1997, a marca de um milhão de cópias já havia sido ultrapassada. A recepção da crítica foi polarizada. Luiz Antônio Ryff, da Folha de S.Paulo, elogiou o trabalho como "ótimo", destacando a energia do show e a capacidade da banda de apresentar um espetáculo vigoroso sem guitarras elétricas, afirmando que algumas faixas superaram as versões originais. Marcos Augusto Gonçalves, também da Folha, creditou ao álbum o "ressurgimento" da banda, que, em sua visão, "mergulhava numa crise que poderia tê-la liquidado". Contudo, outros críticos como Pedro Alexandre Sanches o classificaram como uma "jogada comercial" e criticaram a descaracterização de canções como "Polícia" e "Cabeça Dinossauro". Álvaro Pereira Júnior chegou a considerá-lo "o pior disco de 1997". Apesar das críticas negativas, a maioria dos 870 leitores da Folha de S.Paulo elegeu o álbum, o show e a banda como os melhores do ano, e a canção "Pra Dizer Adeus" foi votada como a melhor. No entanto, em 2018, Lucas Brêda, da revista Vice, classificou o Acústico dos Titãs como o pior da série Acústico MTV em uma lista de 31 álbuns do projeto. Sérgio Britto revelou que a banda se surpreendeu com o rápido e amplo sucesso do projeto, que resultou em uma "renovada radical" de público, atraindo pessoas mais jovens e um número maior de mulheres, o que os fez sentir como o grupo mais popular daquele ano.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Jaques Morelenbaum, Marcelo Martins
Paschoal Perrota
Liminha
Arnaldo Antunes, Branco Mello, Charles Gavin, Ciro Pessoa, Marcelo Fromer, Martin Cardoso, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Bellotto, Torquato Neto
Branco Mello
Nando Reis
Paulo Miklos
Sérgio Britto
Tony Bellotto
Marcelo Fromer
José Canuto
Eduardo Morelenbaum
Cássia Passarotto, Maria Flavia Martins
Charles Gavin
Philip Doyle
Cristina Braga
Marcos Suzano
Marcelo Martins
Vitor Santos
Flávio De Melo
Antonella Pareschi, Mariana Salles
