Jogos de Armar (Faça Você Mesmo)
Tom Zé
2000

Ranking nas Listas
Por Que Esse Disco é Importante
Jogos de Armar (Faça Você Mesmo), lançado em 2000, é uma obra seminal de Tom Zé que encapsula sua abordagem vanguardista e experimental da música brasileira. O álbum se destaca por sua sonoridade única, que mistura instrumentação lúdica com a incorporação inteligente de samples e arranjos vocais ambiciosos, frequentemente utilizando coros femininos. Tom Zé, um mestre da aventura musical, cria um pop orquestral onde a própria orquestra é composta por sons encontrados e instrumentos caseiros, desafiando as convenções musicais de sua época. Este trabalho representa a perfeição de seu som do 'segundo período', um estilo que ele vinha desenvolvendo com vigor. A essência do álbum reside na sua capacidade de ser ao mesmo tempo cerebral e cativante, com ritmos peculiares e canções que permanecem na memória, demonstrando a irreverência e a acidez que o tornam um artista singular na MPB.
Contexto
Tom Zé, figura proeminente do movimento Tropicália nos anos 60, experimentou um período de relativa obscuridade antes de um notável 'retorno' à cena musical nas décadas seguintes. Após o sucesso de álbuns como Com Defeito de Fabricação (Fabrication Defect) em 1998, que o trouxe de volta ao reconhecimento internacional, Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) marcou um momento significativo em sua carreira. Lançado em 2000 pela Trama, este foi o primeiro álbum de estúdio de Tom Zé a ser lançado por uma gravadora brasileira em mais de vinte anos, solidificando sua redescoberta e a reavaliação de sua obra em seu país de origem.
Gravação
A produção de Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) é notável pela sua inventividade e pela exploração de timbres incomuns. O álbum incorpora "sons encontrados e instrumentos caseiros", uma característica marcante da obra de Tom Zé. Exemplos notáveis incluem o uso do 'businorio' para criar sons rítmicos de buzina na faixa "Jimi Renda-se/Moeda Falsa" e do 'hertZé', um sampler que manipulava o som de risadas infantis em "O PIB da PIB (Prostituir)". Sob a produção de Alê Siqueira, o disco apresenta uma produção de estúdio mais elaborada, com menos camadas e detalhes texturais, o que contribui para um som mais "direto e de alto contraste". O lançamento original do álbum veio acompanhado de um segundo CD, que continha "pedaços e partes das canções individuais", incentivando os ouvintes a "construírem suas próprias músicas". Embora a utilidade prática do segundo disco para o público seja debatível, a ideia de oferecer os materiais brutos para criação é um exemplo perfeito do espírito experimental de Tom Zé.
Músicas
As canções de Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) são um microcosmo da inventividade de Tom Zé. Elas exibem ritmos "herky-jerk", "paradas e inícios súbitos" e melodias "jingle-jungle", impulsionadas por uma energia singular. Os arranjos vocais são frequentemente peculiares e interessantes, com o uso proeminente de coros predominantemente femininos em timbres e combinações bem-humoradas. Entre as faixas de destaque, "Passagem de Som" incorpora cânticos, enquanto "Cafuas, Guetos e Santuários" é notável por ser uma peça a cappella de apenas 46 segundos. O álbum também revisita clássicos do cancioneiro nordestino, como "Pisa Na Fulô" e "Asa Branca", ao lado de composições originais como "Medo de Mulher". As letras abordam "mais questões do que a maioria dos artistas pop", utilizando um "humor cáustico" para veicular uma "crítica política inteligente".
Legado
Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) solidificou a posição de Tom Zé como um inovador musical, sendo aclamado pela crítica. O álbum é considerado "um dos melhores álbuns dos anos posteriores ao seu retorno" e está "entre os 11% melhores de todos os álbuns" no site BestEverAlbums.com, sendo ranqueado em 381º lugar no ano de 2000. Embora a versão lançada pela gravadora Luaka Bop nos Estados Unidos não tenha incluído traduções das letras, uma versão francesa da BMG ofereceu essa facilidade. A inclusão de um segundo CD com elementos sonoros para que os ouvintes criassem suas próprias músicas, apesar de seu valor prático questionável para o público em geral, reforça o caráter experimental e interativo da obra, influenciando a percepção de Tom Zé como um artista que constantemente desafia os limites da forma musical.
Faixas
Créditos
Kid Vinil
Gilberto Assis, Tom Zé
André Szajman, Cláudio Szajman, João Marcello Bôscoli
Gilberto Assis
Carol Escorel, Erik Balestrini, Pat Prudente
Alê Siqueira
Gilberto Assis, Jarbas Mariz, Naoko Akamine
Toninho Ferragutti
Gilberto Assis
Guilehrme Kastrup, Lauro Lellis
Carlos Malta
Cristina Carneiro
Marcos Suzano
Carlos Malta
Carlos Malta
Bocato
Gilberto Assis, Renato Anesi, Tom Zé
Tom Zé
Filmes

Tom Zé: Programa Ensaio
1991
O músico baiano fala sobre sua infância em Irará, sobre o tropicalismo, sobre o período que ficou no ostracismo, em São Paulo, e seu encontro com David Byrne. Acompanhado por Milton Belmudes (guitarra), Paulo Venegas (teclado), Lauro Lellis (bateria), Gilberto Assis (baixo), Eder Sandoli (guitarra / bandolim), Jarbas Mariz (cavaquinho / percussão), Tuca Fernandes (vocal), Maisa Santos (vocal) e Carmem Nakaso (Vocal), Tom Zé interpreta músicas de seu repertório como "Parque Industrial", "Hein?", "Só (Solidão)", "Lavagem da Igreja de Irará", "São São Paulo", "Se o Caso é Chorar", entre outras.

Escutando Tom Zé
2010
Em Escutando Tom Zé, Jorge Alfredo mostra o processo criativo do artista baiano, a quem acompanhou, durante muito tempo, para entender, também, a sua relação com a cidade de Irará, no interior baiano.
Tom Zé ou Quem Irá Colocar uma Dinamite na Cabeça do Século?
Tom Zé ou Quem Irá Colocar uma Dinamite na Cabeça do Século?
2000
Documentário sobre Tom Zé e seus métodos nada convencionais de criar música.

Homo Brasilis: Tom Zé, o Tropicalista Visionário
2023

Fabricando Tom Zé
2006
Livros
Tropicalista Lenta Luta
Tropicalista Lenta Luta
Tom Zé · 2003
Este livro é uma coletânea de artigos, entrevistas e textos diversos do próprio Tom Zé, onde ele compartilha suas reflexões sobre a música brasileira, o movimento Tropicalista e sua própria trajetória artística. Oferece uma visão direta e aprofundada de seu processo criativo e das ideias que permeiam sua obra, sendo uma fonte essencial para entender os conceitos por trás de álbuns como "Jogos de Armar (Faça Você Mesmo)".
Tom Zé, o Último Tropicalista
Tom Zé, o Último Tropicalista
Pietro Scaramuzzo
Uma biografia crítica e análise aprofundada da vida e da obra de Tom Zé, um dos artistas mais inovadores e provocadores da música popular brasileira. O livro explora sua evolução musical, sua relação com o Tropicalismo e o impacto de suas experimentações sonoras ao longo de sua discografia, incluindo álbuns lançados no início dos anos 2000, como "Jogos de Armar (Faça Você Mesmo)".
Análises
Discos para história: Jogos de Armar - Faça Você Mesmo, de Tom Zé (2000)
musicontherun.net
Resenha de "Jogos de Armar - Faça Você Mesmo" As invenções musicais de Tom Zé vão do primeiro ao último último minuto do álbum, transformando "Jogos de Armar - Faça Você Mesmo" em uma espécie de puro-sangue tomzeístico.
Tom Zé - Jogos de Armar: Faça Você Mesmo - Album of The Year
albumoftheyear.org
The artist I listened to a lot this summer was Tom Zé, and my favorite Tom Zé is from the 2000s. This album was released in 2000, so he was 64 years old at the time.
ark111's Review of 'Jogos de Armar: Faça Você Mesmo' by Tom Zé
albumoftheyear.org
This Jogos De Armar is the first or second best Tom Zé's CD that I own. Tropicalia Monster Tom Zé is running wild in this album. Combining his beautiful voice, homemade instruments, women's voice, overdubbing, and field recordings, he will lead us to a tropical paradise.