Em Suas Canções Célebres
Vicente Celestino
1961

Porque Merece Estar na Lista
Em Suas Canções Célebres, lançado em 1957, é um registro que celebra a voz monumental de Vicente Celestino, um dos pilares da canção brasileira na primeira metade do século XX. O álbum, cujo título já indica a reunião de seus grandes êxitos, oferece um panorama da singularidade vocal do artista, marcada por uma potência inconfundível que desafiou até as tecnologias de gravação de sua época. Ele se manteve fiel a um estilo dramático e emotivo, que ressoou profundamente com o público. Este trabalho condensa a essência de um intérprete que, atravessando modismos e décadas de carreira, consolidou um repertório atemporal. É um convite à imersão na obra de um cantor que transformou muitas de suas composições em verdadeiros hinos populares, deixando uma marca indelével na cultura musical do Brasil.
Contexto
Vicente Celestino construiu uma carreira extraordinária desde suas origens humildes no Rio de Janeiro, trabalhando desde cedo para sustentar a família. Sua trajetória artística começou em recitais ainda menino, evoluindo para apresentações em clubes recreativos e, posteriormente, para o teatro, onde integrou corais e atuou em operetas e óperas. Ao longo dos anos 1920, ele já se consagrara como um ídolo da canção, adaptando-se às inovações tecnológicas, como a gravação elétrica, que inicialmente representou um desafio para sua voz potente. Com uma passagem breve pela Columbia, sua fase mais frutífera se estabeleceu na RCA Victor a partir de 1935, onde permaneceu pelo resto de sua vida, garantindo um contrato inovador para a época. Lançado em 1957, Em Suas Canções Célebres surge em um período de maturidade de Celestino, que já era um artista consolidado, com décadas de sucesso e turnês pelo Brasil, reafirmando seu status como uma das vozes mais queridas e respeitadas do país.
Músicas
O álbum, intitulado Em Suas Canções Célebres, naturalmente reúne parte do vasto repertório que imortalizou Vicente Celestino. Ele não foi apenas um intérprete magistral, mas também um prolífico compositor, criando muitas de suas mais célebres canções. Dentre elas, destacam-se obras que transcendem o universo musical e se tornaram fenômenos culturais, como "O Ébrio" e "Coração Materno", ambas transformadas em filmes de grande sucesso, dirigidos por sua esposa Gilda Abreu, e estrelados por ele mesmo. Ao longo de sua carreira, Celestino também interpretou canções marcantes como "Flor do Mal", seu primeiro grande êxito em disco, e outras composições icônicas como "Noite Cheia de Estrelas". Mesmo no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, ele continuava a gravar sucessos como "Conceição", "Creio em Ti" e "Se Todos Fossem Iguais a Você", demonstrando a durabilidade e a atemporalidade de sua arte.
Legado
O legado de Vicente Celestino é vasto e multifacetado, estendendo-se muito além de sua prolífica discografia. Ele foi homenageado postumamente de diversas formas, incluindo a inauguração do Museu Vicente Celestino e Gilda de Abreu em Conservatória, que abriga um acervo significativo de sua vida e carreira. Seu impacto também é reconhecido em espaços públicos, com ruas que levam seu nome em cidades como Nilópolis e Sorocaba. Ao longo de sua vida, Celestino recebeu importantes condecorações, como o título de Cidadão Paulistano e a Medalha de Honra ao Mérito do Trabalho em 1965. Em 1967, o Festival Internacional da Canção lhe concedeu o diploma de "A Expressão Máxima da Canção", solidificando seu status como um ícone. Sua influência perdurou por gerações, com canções regravadas por artistas renomados da MPB, como Caetano Veloso, Marisa Monte e os Mutantes, demonstrando a atemporalidade e a relevância contínua de sua obra.
