Desenhos
Victor Assis Brasil
1966
Porque Merece Estar na Lista
Desenhos, lançado em 1966, é um marco fundamental na música instrumental brasileira, notabilizando-se como o primeiro grande álbum de jazz gravado no Brasil. Este trabalho de estreia do saxofonista Victor Assis Brasil, então com apenas 21 anos, revelou um talento precoce e uma maturidade musical surpreendente, que o consagraria como um dos instrumentistas mais aclamados do jazz nacional. O álbum apresenta uma fusão sofisticada de jazz e bossa nova, com uma sonoridade que reflete as influências do post-bop e de figuras como John Coltrane, mas sempre permeada pela essência melódica e rítmica brasileira. A proposta de Victor Assis Brasil em Desenhos foi além do som suave e fácil da bossa nova, explorando maior profundidade e complexidade harmônica, estabelecendo um novo padrão para o jazz feito no país. Sua importância reside não apenas na virtuose individual de Victor, mas também na forma como o álbum solidificou o papel pioneiro do músico no cenário do jazz brasileiro, mostrando um caminho inovador e ambicioso para a música instrumental da época.
Contexto
Nascido em 1945, Victor Assis Brasil demonstrou interesse pela música desde cedo, inicialmente com gaita e bateria, até receber um saxofone alto aos 16 anos. Já em 1965, ele atuava profissionalmente, participando ativamente de jam sessions e do influente Clube de Jazz e Bossa no Rio de Janeiro. "Desenhos" é o resultado desse período de efervescência musical e de seu rápido amadurecimento como instrumentista, gravado quando o saxofonista tinha apenas 21 anos.
Gravação
O álbum Desenhos foi gravado em 11 de janeiro de 1966. Victor Assis Brasil liderou um quarteto excepcional, que incluía o lendário pianista Tenório Jr., o contrabaixista Edison Lôbo e o baterista Chico Batera. A produção ficou a cargo de Roberto Quartin para o selo Forma. As sessões de gravação foram marcadas por um fato notável: chuvas torrenciais caíam sobre o Rio de Janeiro, e o teto do estúdio chegou a vazar. Apesar das adversidades, Victor e sua banda optaram por continuar as gravações, resultando em um número maior de músicas do que o inicialmente planejado para o álbum.
Músicas
Desenhos apresenta um repertório equilibrado entre composições originais de Victor Assis Brasil e interpretações de clássicos da música brasileira. Entre suas autorias, destacam-se faixas como "Devaneio", "Dueto", "Eugenie" e a faixa-título "Desenhos". O álbum também ressalta a maestria de Victor ao reinterpretar obras de outros grandes nomes, incluindo "Naquela Base" e "Minha Saudade" de João Donato, "Primavera" de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, "Feitiço da Vila" de Noel Rosa e "Amor de Nada" de Marcos e Paulo Sergio Valle. A abordagem de Victor Assis Brasil nessas canções, aliada às suas próprias composições, demonstra uma linguagem musical profunda e um estilo coeso, distanciando-se dos jazz trios mais acelerados da bossa nova anterior, e exibindo uma sonoridade mais texturizada e introspectiva.
Legado
Desenhos é amplamente considerado um dos maiores álbuns de jazz já gravados no Brasil. Victor Assis Brasil foi elogiado pela crítica internacional e admirado por grandes nomes do jazz como John Coltrane e Phil Woods. O álbum consolidou seu papel pioneiro como um dos mais importantes músicos de jazz brasileiros. Embora Victor Assis Brasil tenha falecido prematuramente aos 35 anos, sua obra, e "Desenhos" em particular, deixou um legado duradouro. O disco é frequentemente citado como essencial para se compreender a evolução do jazz no Brasil e continua a ser reverenciado por sua originalidade e a virtuose do seu criador.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Roberto Quartin
Wadi Gebara Netto
Victor Assis Brasil
Edson Lobo
Chico Batera
Tenorio Jr.
Ademar Rocha, Armando Dulcetti
Kumbuka
Pedro De Moraes
