Violeta de Outono

Violeta de Outono

1987

Capa de Violeta de Outono
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Porque Merece Estar na Lista

O álbum de estreia homônimo do Violeta de Outono, lançado em 1987, representa um marco singular no rock brasileiro da década de 80. Em um período dominado pelo chamado "BRock", com sonoridades fortemente influenciadas pelo pós-punk e new wave, a banda paulistana emergiu com uma proposta ousada e distinta, mergulhando nas profundezas do rock psicodélico e progressivo. Sua música, de caráter etéreo e introspectivo, com camadas instrumentais ricas e arranjos sofisticados, desafiou as convenções da época, propondo uma viagem sonora atemporal que ecoava as grandes bandas psicodélicas dos anos 60 e 70, como Pink Floyd e Gong. Este trabalho de estreia não apenas consolidou a identidade única do trio no cenário nacional, mas também pavimentou um caminho para uma vertente menos comercial e mais experimental do rock no Brasil. O álbum, que mistura influências psicodélicas com toques sutis de pós-punk, destacou-se pela originalidade e pela capacidade de criar paisagens sonoras hipnóticas e melancólicas, tornando-se um divisor de águas e uma referência cultuada para os apreciadores de um rock mais elaborado e artístico.

Contexto

O Violeta de Outono foi formado em 1984, em São Paulo, por Fabio Golfetti (voz e guitarra) e Cláudio Souza (bateria), que haviam acabado de sair da banda Zero, pioneira do New Romantic no Brasil. Pouco depois, Angelo Pastorello (baixo) completou a formação clássica do trio. Antes do álbum de estreia, a banda gravou uma demo tape intitulada "Memories" em 1985 e lançou o EP "Reflexos da Noite" em 1986, pelo selo Wop Bop. Este EP, que incluía faixas como "Outono" e "Dia Eterno", obteve boa repercussão em rádios alternativas de São Paulo e Rio de Janeiro, chamando a atenção da gravadora RCA, que os contratou para a produção de um álbum completo. Nos anos 80, o Brasil vivia um efervescente cenário do rock, com diversas bandas alcançando o sucesso e popularizando o chamado "BRock". Contudo, a maioria dessas bandas seguia tendências do punk e new wave, tanto na estética quanto na sonoridade. O Violeta de Outono, por sua vez, optou por um caminho distinto, influenciado pelo psicodelismo e progressivo, distanciando-se do mainstream e cultivando uma base de fãs fiéis que buscavam uma proposta musical mais densa e complexa.

Gravação

O álbum foi gravado nos lendários estúdios da RCA em São Paulo, na Rua Veridiana, entre fevereiro e maio de 1987. A gravadora não poupou orçamento, oferecendo todos os recursos disponíveis para a produção do disco. A produção ficou a cargo de Reinaldo B. Brito, conhecido como Reinaldo Barriga, em colaboração com a própria banda, que tinha uma visão clara de sua sonoridade. A gravação do álbum foi realizada de forma que a banda pudesse manter a sonoridade e o conceito de suas apresentações ao vivo. Em uma contramão às produções da época, que frequentemente exploravam as baterias eletrônicas, o trio optou por uma gravação ao vivo no estúdio, buscando um som atemporal que remetesse às clássicas bandas de rock das décadas de 1960 e 1970. A equipe de engenharia de gravação contou com Pedro Fontanari Filho, Stelio Carlini, Walter Lima e Claudio Coev, sob a supervisão de Gunther J Kibelkstis.

Músicas

O álbum "Violeta de Outono" é composto por nove faixas, sendo a maioria delas assinada por Fábio Golfetti. Dentre as composições originais, destacam-se "Outono" e "Dia Eterno", que tiveram boa cobertura nas rádios e se tornaram verdadeiros clássicos do repertório da banda. A faixa "Outono", em particular, é uma adaptação de um poema chinês do século X, "Claustro de Outono" de Li Yu, e explora temas de solidão, introspecção e melancolia, utilizando a estação como metáfora para um estado emocional de recolhimento. Já "Dia Eterno" é considerada uma das melhores faixas da história do rock nacional, e seu videoclipe foi filmado no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. As letras do álbum são marcadamente introspectivas, carregadas de psicodelia, melancolia e reflexão, explorando temas como a natureza, a passagem do tempo, a existência humana e a busca por significado. A complexidade instrumental é evidente em faixas como "Retorno" e "Sombras Flutuantes", que são instrumentais, permitindo que a banda demonstrasse sua habilidade em criar atmosferas densas e envolventes. O disco é encerrado com uma notável versão de "Tomorrow Never Knows", dos Beatles, um clássico psicodélico que se tornou um marco na sonoridade do Violeta de Outono. A interpretação da banda para a canção foi amplamente elogiada, inclusive com rumores de que Paul McCartney teria apreciado a versão, destacando-se por sua abordagem lisérgica, introspectiva e melancólica, em contraste com a estética mais extrovertida do original.

Legado

Apesar de seu lançamento em 1987, uma época dominada pelo pop rock e new wave no Brasil, o álbum "Violeta de Outono" logo se estabeleceu como um clássico, vendendo cerca de 30 mil cópias em vinil. Inicialmente, algumas críticas na revista Bizz não foram totalmente favoráveis, talvez por sua sonoridade desafiar as tendências daquele período. No entanto, o tempo provou o valor da obra, e a banda foi eleita "banda revelação" pelos leitores da Bizz no mesmo ano de 1987. O álbum é amplamente considerado um dos registros mais impressionantes do rock brasileiro da década de 80 e um clássico atemporal, reafirmando o trio como um dos grupos mais originais e influentes daquele período. Sua sonoridade única atraiu uma audiência diversificada, unindo fãs de diferentes "tribos" da cena underground da época, como darks, rockabillys e neo-hippies, em seus shows. O reconhecimento da importância do disco é evidenciado por seus relançamentos: em 2007 pela Voiceprint Records e, posteriormente, em 2017, para celebrar seus 30 anos, com uma nova remasterização e a reunião da formação original para shows comemorativos. O álbum continua a influenciar novas gerações de músicos e apreciadores do rock psicodélico, consolidando o Violeta de Outono como um expoente do gênero no Brasil.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Produção Executiva [Produção Executiva]

Reinaldo Barriga, Violeta De Outono

Produção [Direção Artistica]

Miguel Plopschi

Produção [Produzido Por]

Reinaldo Barriga, Violeta De Outono

Produção, Coordenação [Coordenação De Produção]

Reinaldo Barriga, Tadeu Valério

Supervisão de Gravação [Supervisão De Audio]

Gunther J. Kibelkstis

Composição

Angelo Pastorello, Claudio Souza, Fabio Golfetti

Baixo [Baixo]

Angelo Pastorello

Bateria [Bateria]

Claudio Souza

Guitarra, Vocais [Guitarra & Vocal]

Fabio Golfetti

Corte [Corte]

José Oswaldo Martins, Paulo Torres

Mixagem [Técnico De Mixagem]

Pedro Fontanari Filho

Gravação [Tecnicos De Gravação]

Claudio Coev, Pedro Fontanari Filho, Stelio Carlini, Walter Lima

Capa [Capa]

Violeta De Outono

Referências

Livros