Som Quente É o das Neves
Wilson das Neves
1969

Porque Merece Estar na Lista
Lançado em 1969, Som Quente É o das Neves marca a estreia solo de Wilson das Neves, uma das figuras mais emblemáticas da bateria brasileira, como artista principal. O álbum é um manifesto de sua versatilidade e virtuosismo, não apenas como instrumentista, mas como um visionário que transcende gêneros. Ele apresenta uma fusão cativante de samba, soul, funk, jovem guarda e elementos caribenhos, criando um "som quente" que era vibrante e inovador para a época, com arranjos de metais que se destacaram por sua qualidade excepcional e impactante sonoridade.
Contexto
Antes de seu primeiro álbum solo, Wilson das Neves já era um nome consagrado nos bastidores da música brasileira. Desde o final dos anos 1940 e início dos 1950, ele se formou com o percussionista Edgar Nunes Rocca, o Bituca, e solidificou sua reputação como um dos mais requisitados bateristas de estúdio do Brasil. Sua extensa carreira inclui colaborações em mais de mil álbuns e com centenas de artistas renomados, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Tim Maia e Elis Regina, para quem tocou bateria no LP Elza Soares – Baterista: Wilson das Neves em 1968. A transição para um projeto solo em 1969 reflete o reconhecimento de seu talento singular e a efervescência musical da época, onde artistas como ele buscavam explorar novas sonoridades e assumir o protagonismo criativo.
Gravação
O álbum Som Quente É o das Neves foi produzido por Roberto Menescal, uma figura proeminente da bossa nova e da MPB. Os arranjos, que são um dos grandes destaques do disco, ficaram a cargo do maestro Erlon Chaves, conhecido por sua maestria em criar texturas sonoras ricas e envolventes. A gravação contou com um seleto grupo de músicos de estúdio, muitos deles provenientes da antiga gravadora Philips, que contribuíram para a sonoridade polida e, ao mesmo tempo, enérgica do trabalho.
Músicas
Som Quente É o das Neves é notável pela diversidade de seu repertório, que reflete a capacidade de Wilson das Neves de transitar por diferentes estilos. O álbum traz releituras de sucesso como "Zazueira" de Jorge Ben, um clássico do samba-rock, e "Se Você Pensa" de Roberto e Erasmo Carlos, representando a efervescência da Jovem Guarda. Além disso, o disco explora o "easy listening" nativo com faixas como "Sambaloo" e "Tio Macrô", ambas de Dom Salvador e Arnoldo Medeiros, e incorpora influências do soul internacional com a vibrante "California Soul", demonstrando a amplitude de seu gosto e talento musical. A inclusão de "Irene" de Caetano Veloso também exemplifica a abertura do álbum a diferentes vertentes da música popular brasileira.
Legado
Desde seu lançamento, Som Quente É o das Neves consolidou a imagem de Wilson das Neves como um artista completo, indo além de sua reputação de baterista lendário. O álbum é considerado um "breakbeat classic" por muitos e tem sido reconhecido por colecionadores e DJs por sua qualidade e relevância no cenário da música brasileira e do funk/soul. Sua importância é atestada pelas reedições em diferentes países, como Japão em 2001 e 2015, e uma edição não oficial na Rússia em 2020. Aclamado por sua fusão inovadora de ritmos e pela excelência dos arranjos de metais, este trabalho permanece um marco na discografia de Wilson das Neves e na música brasileira, influenciando gerações de músicos e amantes da boa música.
Ranking nas Listas
Faixas
Créditos
Erlon Chaves
Roberto Menescal
Perry Hettel
Ary Carvalhaes, Célio Martins
Lincoln
Ronaldo Boscoli
Johnny Salles
