A Arte Negra
Wilson Moreira & Nei Lopes
1980

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Por Que Esse Disco é Importante
A Arte Negra, lançado em 1980, é um marco indelével na discografia do samba e da Música Popular Brasileira, representando o ponto alto da colaboração entre Wilson Moreira e Nei Lopes, uma das mais sofisticadas parcerias da música brasileira. Este álbum transcende o mero registro musical, configurando-se como uma exaltação da cultura e da arte do povo negro, conforme seu próprio título sugere. A obra é reconhecida por sua profundidade lírica e riqueza melódica, que se entrelaçam para criar um painel sonoro autêntico e engajado. O disco se destaca por ser um "divisor de águas na evolução artística do samba", incorporando não apenas os estilos tradicionais do gênero, mas também outros ritmos populares e afro-latinos, ampliando as fronteiras do samba. A confluência dos talentos de Wilson, exímio melodista e militante do partido alto, e Nei, letrista preciso e intelectual da diáspora africana, resultou em composições atemporais que ressoam com a vivência e a história afro-brasileira.
Contexto
O álbum emerge em um período em que Wilson Moreira e Nei Lopes já possuíam trajetórias individuais significativas e uma parceria consolidada na cena do samba carioca. Wilson Moreira, com sua experiência de ex-agente penitenciário e compositor de destaque em escolas de samba como Mocidade Independente de Padre Miguel e Portela, trazia a vivência das camadas populares do Rio de Janeiro. Nei Lopes, por sua vez, bacharel em Direito e Ciências Sociais, abandonou a advocacia para dedicar-se à música e à literatura, atuando como pesquisador e militante da cultura afro-brasileira desde os anos 70. Ambos foram fundadores do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, agremiação que reforçava a identidade e a luta negra, elementos que se refletem intrinsecamente na temática e na sonoridade do álbum.
Gravação
A Arte Negra foi lançado em 1980, sob o selo da gravadora Odeon, com uma ficha técnica que reuniu nomes importantes da produção musical da época. A produção ficou a cargo de Genaro Soalheiro, enquanto os arranjos foram assinados por Rogério Rossini. A direção artística do projeto foi de Renato Corrêa, consolidando a sonoridade característica que se tornaria um referencial.
Músicas
O repertório do álbum é um tesouro do samba, com nove faixas que se tornaram clássicos e elementos fundamentais da MPB. Dentre as canções que se destacam, encontram-se "Gotas de veneno", "Senhora liberdade", "Samba do Irajá", "Candongueiro" e "Gostoso veneno". Outras pérolas incluem "Só Chora quem Ama", que segue a tradição dos antigos sambas de primeira, e "Goiabada cascão", cujo mote foi inspirado por um elogio feito a Dino Sete Cordas. As letras são marcadas pela agudeza poética de Nei Lopes, que em "Mel e Mamão com Açúcar" explora um dito popular do ambiente penitenciário, e em "Coisa da Antiga" constrói uma narrativa a partir de uma ideia original de Wilson Moreira. "Coité, cuia" é um samba-jongo com raízes nas memórias de um jongueiro. O álbum também inclui "Ao povo em forma de arte", um samba-enredo de forte conotação reivindicatória, que anteriormente havia sido interpretado por Candeia.
Legado
A Arte Negra consolidou a parceria de Wilson Moreira e Nei Lopes como uma das mais frutíferas e importantes do samba e da MPB. O álbum foi crucial para que Nei Lopes, já reconhecido como exímio compositor, ascendesse à condição de sambista consagrado também para o público geral. Diversas composições do disco transcenderam o trabalho original, sendo gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Clara Nunes, Beth Carvalho, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, o que atesta a perenidade e a qualidade artística do repertório. A obra continua a ser revisitada e celebrada, confirmando seu status como um dos álbuns mais clássicos e influentes do samba.
Faixas
Créditos
Rogerio Rossini
Rogerio Rossini
Genaro
Renato Corrêa
As Gatas, Conjunto Nosso Samba
Julinho
Alceu Maia, Carlinhos Do Cavaco
Netinho
Aladim
Geraldo
Rogerio Rossini
Dino 7 Cordas
Afonso Machado
Caboclinho, Conjunto Nosso Samba, Elizeu, Geraldo Bongô, Luna, Marçal, Testa, Trambique
Nelson Martins Dos Santos
Nivaldo Duarte
Bill Horne, Dacy Rodrigues
Rubem Confete
Livros
Análises
A Arte Negra De Wilson Moreira e Nei Lopes (Fenix/EMI/Odeon)1980
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022 A Arte Negra De Wilson Moreira e Nei Lopes (Fenix/EMI/Odeon)1980 Um clássico do samba e desses ótimos compositores que fizeram história no estilo. Álbum necessário para quem gosta de samba, produzido por Renato Correa dos Golden Boys e com um time de tirar o fôlego que gravava com várias pessoas do samba.
G. Álbuns: Wilson Moreira e Nei Lopes | A Arte Negra de Wilson Moreira ...
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Por isso mesmo, ficaram receosos se realmente deveriam gravar A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes (1980). Além do mais, havia outro detalhe: Nei e Wilson eram da mesma turma de Candeia, o sambista que detratou a massificação e o estrangeirismo do samba.
Cliquemusic : Disco : A ARTE NEGRA DE WILSON MOREIRA E NEI LOPES
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1980 EMI-Odeon 062 421196 Faixas 1 Só chora quem ama (Wilson Moreira, Nei Lopes) 2 Goiabada cascão (Wilson Moreira, Nei Lopes) 3 Mel e mamão com açúcar (Wilson Moreira) 4 Coisa da antiga (Wilson Moreira, Nei Lopes) 5 Coité, cuia (Wilson Moreira, Nei Lopes) 6 Gotas de veneno (Wilson Moreira, Nei Lopes) 7 Senhora liberdade (Wilson Moreira ...
