A Nova Dimensão do Samba

Wilson Simonal

1964

Capa de A Nova Dimensão do Samba
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Lançado em 1964, A Nova Dimensão do Samba é um marco na discografia de Wilson Simonal, frequentemente apontado como um dos melhores discos de sua carreira. Este álbum solidificou o estilo vocal inconfundível do artista, caracterizado por um swing singular e uma capacidade de interpretar que transitava com maestria entre o samba e a nascente bossa nova. O disco se destaca por sua audaciosa reinterpretação de clássicos da bossa-nova, adicionando uma energia e um carisma que se tornariam a assinatura de Simonal. Com arranjos sofisticados e inventivos, o álbum apresentou uma nova perspectiva para canções já conhecidas, demonstrando a versatilidade e o talento de Simonal em se apropriar de diferentes gêneros e imprimir sua identidade vocal única. A obra é essencial para compreender a evolução da música popular brasileira nos anos 60 e o papel de Simonal na ponte entre o samba tradicional, a bossa nova e as influências do soul e do jazz, que mais tarde culminariam na estética da "Pilantragem".

Contexto

Wilson Simonal iniciou sua carreira nos fins da década de 1950, um período de efervescência musical no Brasil com o surgimento da bossa nova e a chegada do rock and roll. Após formar o grupo Dry Boys e chamar a atenção de Carlos Imperial, ele se apresentou no programa Clube do Rock, na TV Tupi. Em carreira solo, Simonal teve seu primeiro grande sucesso nas rádios com a canção "Balanço Zona Sul", presente em seu disco de estreia de 1963, Tem "Algo Mais". O êxito de "Balanço Zona Sul" impulsionou sua carreira e o levou a se apresentar no célebre Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro, entre 1964 e 1965, um reduto da elite intelectual e musical que abrigava os maiores nomes da música brasileira da época. Foi nesse contexto de reconhecimento crescente e experimentação musical que A Nova Dimensão do Samba foi lançado, aproveitando a exposição e o talento emergente de Simonal.

Gravação

O álbum A Nova Dimensão do Samba, lançado em 1964, contou com a produção de Milton Miranda. A direção musical foi de Lyrio Panicalli, e os arranjos ficaram a cargo de Eumir Deodato em faixas como "Nanã (Coisa Nº 5)", "Lobo Bobo" e "Só Saudade", enquanto Lyrio Panicalli orquestrou e regeu outras canções. A direção técnica foi de Z. J. Merky, com mixagem e masterização por Reny Rizzi Lippi, e Willy Paiva como técnico de som. O disco foi gravado com uma banda de estúdio, e embora os créditos dos músicos não estejam detalhados em todas as edições, a sofisticação dos arranjos é um ponto notável. Em edições posteriores em CD, como a de 2004, produzida pelos filhos de Simonal, Wilson Simoninha e Max de Castro, faixas bônus instrumentais foram incluídas, mostrando a complexidade das bases musicais.

Músicas

A Nova Dimensão do Samba apresenta uma seleção de canções que se tornaram emblemáticas na voz de Simonal, muitas delas releituras de clássicos da bossa nova. Entre as faixas de destaque estão "Lobo Bobo" (de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli) e "Ela Vai, Ela Vem" (de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), que ganharam nova vida com a interpretação única do cantor. Outras composições notáveis incluem "Nanã (Coisa Nº 5)" de Moacir Santos e Mário Telles, uma canção que, apesar de parecer uma declaração de amor, é uma profunda homenagem à orixá Nanã, exaltando sua importância espiritual e cultural com imagens que remetem à criação e renovação. O álbum também conta com "Só Saudade" (Tom Jobim e Newton Mendonça), "Samba de Negro" (Sylvio Son e Roberto Corrêa), "Jeito Bom de Sofrer" (Wilson Simonal e José Luis Guimarães), "Ela Diz Que Estou Por Fora" (Orlandivo), "Rapaz de Bem" (Johnny Alf) e "Inútil Paisagem" (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira). O disco ainda apresenta um medley que inclui "Consolação" (Vinícius de Moraes e Baden Powell), "Samba do Avião" (Tom Jobim), "Ela é Carioca" e "Garota de Ipanema".

Legado

A Nova Dimensão do Samba, apesar de ser considerado por muitos músicos como um dos discos preferidos de Simonal, foi recebido de forma mista pela crítica na época de seu lançamento, sendo ignorado por parte dela e até mesmo detonado por alguns, como o crítico Maurício Kubrusly. Contudo, com o tempo, a importância do álbum para a carreira de Simonal e para a música brasileira se tornou inegável. Este trabalho ajudou a cimentar a presença de Simonal no cenário musical e abriu portas para sua consagração nos anos seguintes. O sucesso do álbum e suas apresentações no Beco das Garrafas o levaram a assinar contrato para seu primeiro programa na TV Tupi, o Spotlight, em 1965. O álbum é um precursor do que viria a ser o movimento da "Pilantragem" a partir de 1966, que mesclava samba, jazz, soul e pop internacional com a irreverência e o carisma de Simonal, sob a influência de arranjadores como César Camargo Mariano. A sonoridade e a presença de palco de Simonal neste período tiveram uma influência duradoura, pavimentando o caminho para artistas negros na televisão e na indústria musical brasileira e deixando um "DNA da pilantragem" que se percebe no pop nacional.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Diretor Musical [Direção Musical]

Lyrio Panicali

Orquestração, Regência [Regencia]

Eumir Deodato, Lyrio Panicali

Produção [Direção Artistica], Coordinator [Coordenação Artistica]

Milton Miranda

Engenheiro de Som [Direção Técnica]

Z. J. Merky

Mixagem, Corte

Reny R. Lippi

Técnico [Assistente De Estúdio]

Paulo Tito

Técnico [Técnico De Som]

Willy Paiva Moreira

Layout

Joselito

Texto do Encarte

Sergio Lobo

Fotografia

Paulo Lorgus

Referências

Livros