A Terceira Lâmina

Zé Ramalho

1981

Capa de A Terceira Lâmina
Top 100

Ranking nas Listas

Por Que Esse Disco é Importante

Lançado em 1981, A Terceira Lâmina é o terceiro álbum solo do cantor e compositor Zé Ramalho, consolidando sua posição como um dos artistas mais singulares da Música Popular Brasileira. O disco é uma extensão da identidade artística de Ramalho, que habilmente funde as ricas influências da música nordestina, como o repente e a literatura de cordel, com a energia e a profundidade do rock psicodélico e progressivo, elementos que já o haviam projetado nacionalmente nos anos anteriores. Este trabalho não apenas expandiu sua popularidade, mas também aprofundou sua marca autoral, caracterizada por um universo lírico repleto de signos místicos e um tom profético. Com A Terceira Lâmina, Zé Ramalho oferece um verdadeiro banquete de sua poética enigmática e visceral. O álbum se destaca pela capacidade de transportar o ouvinte para um cenário que mistura o real e o apocalíptico, a crítica social e a introspecção. É um álbum que, como seus predecessores, desafia classificações fáceis, mantendo a autenticidade de um artista que, influenciado desde a Jovem Guarda e o rock internacional até os cantadores do sertão, soube forjar um estilo inconfundível na paisagem musical brasileira.

Contexto

O lançamento de A Terceira Lâmina em 1981 ocorreu em um período de efervescência e transformações significativas no Brasil. O país vivenciava o esgotamento do regime militar, que se estendia desde 1964, e começava a respirar uma nova liberdade de expressão, que se traduzia em uma rica diversidade cultural na música popular. No entanto, o cenário era também de crise econômica e inflação, o que intensificava um sentimento de incerteza e, para muitos, de urgência por mudanças. Nesse contexto, Zé Ramalho já era um nome de prestígio e reconhecimento no cenário musical brasileiro. Seus dois álbuns anteriores, lançados em 1978 e 1979, já haviam emplacado grandes sucessos como "Avôhai" e "Admirável Gado Novo", consolidando sua sonoridade única de folk-rock nordestino. A Terceira Lâmina, portanto, não chegava como uma estreia, mas como a continuação de uma proposta artística já madura e engajada, em um momento em que a MPB se diversificava e buscava um campo mais visionário e crítico.

Gravação

A Terceira Lâmina foi gravado entre 1980 e janeiro de 1981, tendo como principais locais os Estúdios Som Livre e os Estúdios Sigla. A produção do álbum ficou a cargo do próprio Zé Ramalho em colaboração com Mauro Motta, uma parceria que garantiu a coesão sonora e a visão artística do projeto. O elenco de músicos que participou das gravações foi fundamental para a riqueza instrumental do álbum. Além dos vocais e violão de Zé Ramalho, e sua viola na faixa "Violar", o disco contou com a participação vocal de Maria Lúcia Godoy em "Canção Agalopada" e de Elba Ramalho em "Cavalos do Cão". José Severo da Silva, o Severo do Acordeom, adicionou a autenticidade nordestina com seu acordeão em "Um Pequeno Xote". A seção de cordas, regida pelo maestro Miguel Cidras, trouxe nuances arranjísticas à faixa-título. Os créditos adicionais revelam a contribuição de Geraldo Azevedo no violão Ovation, Chico Julien e Novelli no baixo, Rui Motta na bateria, Waldemar Falcão na flauta e Carlinhos Ogan e Ubiratan Silva na percussão, com a mixagem realizada por Andy Mills e Don Lewis.

Músicas

O álbum A Terceira Lâmina apresenta um repertório inteiramente autoral, com Zé Ramalho assinando todas as composições e mergulhando em temas que variam do místico ao social, do pessoal ao universal. A faixa de abertura, "Canção Agalopada", é um exemplo notável, construída a partir de um poema do próprio Zé, extraído de seu livro *Apocalipse* de 1977. Esta canção incorpora as formas poéticas do *martelo agalopado* e *galope à beira-mar*, e conta com a participação lírica da soprano Maria Lúcia Godoy, estabelecendo de imediato um clima apocalíptico e grandioso. A faixa-título, "A Terceira Lâmina", é uma das mais emblemáticas do disco e, segundo o próprio artista, remete ao "terceiro filho, a terceira cria, minha terceira fase - e a visão da terceira Guerra Mundial". A letra é densa em metáforas, abordando um sofrimento coletivo e silencioso, uma "nova fase de aflição" que se manifesta de forma "tranquila" através da fome, da falta de saneamento básico e da educação, diferente da repressão direta, mas igualmente corrosiva. Outras canções de destaque incluem "Filhos de Ícaro", que, apesar de manter o tom profético, surpreende com um arranjo de samba, e "Um Pequeno Xote", que se beneficia do toque autêntico do acordeão de Severo do Acordeom. O álbum também resgata "Galope Rasante", sucesso prévio na voz de Amelinha, e fecha com o frevo "Dia dos Adultos", evidenciando a diversidade rítmica e temática que permeia a obra.

Legado

A Terceira Lâmina foi um marco importante na trajetória de Zé Ramalho, contribuindo significativamente para o aumento de sua popularidade e consolidando sua sonoridade única no cenário da MPB. Embora em uma análise de 2020 o crítico Mauro Ferreira, do G1, tenha considerado o álbum "incisivo", mas o comparado desfavoravelmente aos dois trabalhos anteriores de Zé Ramalho, sua relevância cultural perdurou. O disco não apenas se destacou nas rádios brasileiras, mas também manteve sua presença em playlists e continua a ser executado, demonstrando a atemporalidade de sua mensagem e arranjos. Para os apreciadores da "pegada apocalíptica/mitológica" de Zé Ramalho, A Terceira Lâmina é considerado um álbum excelente. Ele reforçou a posição do artista como uma voz crítica e visionária na música brasileira, especialmente em um período de transição política e social no Brasil. Apesar de a MPB dos anos 80 ser, por vezes, subestimada em listas críticas, Zé Ramalho figura como um dos artistas que se consolidaram e deixaram um legado duradouro nessa década, com A Terceira Lâmina sendo um testemunho de sua capacidade de aliar profundidade poética a uma originalidade musical.

Faixas

Créditos

Coprodução [Assistente de Produção]

Luiz Fernando Borges

Produção

Mauro Motta, Zé Ramalho

Composição

Zé Ramalho

Vocais, Violão, 12-String Acoustic Guitar

Zé Ramalho

Violão [Ovation]

Geraldo Azevedo

Baixo

Chico Julien, Novelli

Violoncelo

Alceu De Almeida Reis, Jorge Kundert Ranevsky

Bateria

Rui Motta

Flauta

Waldemar Falcão

Percussão

Carlinhos Ogan, Ubiratan

Piano

Fernando Moura

Viola

Arlindo Penteado, Frederick Stephany, Hindemburgo Pereira, Nelson De Macedo

Violino

Aizik Geller, Carlos Eduardo Hack, Francisco Perrota, GianCarlo Pareschi, Jorge Faini, José Alves, João Daltro, Walter Hack

Mixagem

Andy Mills, Don Lewis

Gravação

Don Lewis

Arte

Carlos Enrique M. de Lacerda

Capa

Frederico Mendes, Zé Ramalho

Fotografia

Frederico Mendes

Podcasts

Ep. 80 – Zé Ramalho, misticismo e revolução em “A Terceira Lâmina” (1981) c/ Suzi Mariana
Ep. 80 – Zé Ramalho, misticismo e revolução em “A Terceira Lâmina” (1981) c/ Suzi Mariana

Sons e Histórias · Daniel Queiroz

1h 8min14 de jun. de 2025

Neste episódio do Sons & Histórias, celebramos o 80º programa mergulhando no universo denso, poético e místico de A Terceira Lâmina, o quarto álbum de estúdio do genial Zé Ramalho, lançado em 1981.Uma obra que mistura psicodelia nordestina, crítica social e profecia poética, reunindo faixas como “Canção Agalopada”, “Kryptônia”, “Um Pequeno Xote” e a enigmática faixa-título, onde o cantor projeta v

Vídeos

Ep. 80 – Zé Ramalho, misticismo e revolução em “A Terceira Lâmina” (1981) c/ Suzi Mariana

Sons e Histórias

Robertinho de Recife e Metalmania - A TERCEIRA LÂMINA

World Music - BR

Livros

Análises

A Terceira Lâmina – Wikipedia

Wikipédia, a enciclopédia livre

A Terceira Lâmina é o terceiro álbum do cantor brasileiro Zé Ramalho, lançado em 1981, e que contribuiu para o aumento da popularidade do músico. Como seus dois antecessores, o disco segue misturando influências nordestinas e do rock. A faixa de abertura, "Canção Agalopada", tem a participação da soprano Maria Lúcia Godoy e foi feita com base em um poema de Zé escrito para seu livro de 1977, Apocalipse, e que utiliza as formas martelo agalopado e galope à beira-mar. Deste mesmo livro, saiu a let

Discos para descobrir em casa - 'A terceira lâmina', Zé Ramalho, 1981

g1.globo.com

♪ Em 1981, ao lançar o terceiro álbum solo, A terceira lâmina, com repertório inteiramente autoral, Zé Ramalho serviu mais uma vez o banquete de signos místicos que já caracterizava na ...

Minha Coletânea : Zé Ramalho - 1981 A Terceira Lâmina

minha-coletanea.blogspot.com

Em 1981, ele lançou A Terceira Lâmina, considerado sua terceira fase sonora e poética. Produzido por Zé e Mauro Motta, o disco trazia uma sonoridade apocalíptica, com incursões líricas e metáforas que ampliavam seu alcance artístico e popularidade.

Por Trás Da Vitrola: Zé Ramalho - Terceira Lâmina [1981]

portrasdavitrola.blogspot.com

Terceiro disco de Zé Ramalho. Abre com a linda "Canção Agalopada", música cheia de referências bíblicas e imagens misteriosas. Destaque para a participação da cantora lírica Maria Lúcia Godoy. Outro grande destaque é a canção título, "A Terceira Lâmina", que une o tom profético com a crítica social.

Zé Ramalho - Terceira Lâmina (1981) - musicasdonordeste.net

musicasdonordeste.net

Terceiro disco de Zé Ramalho. Abre com a linda "Canção Agalopada", música cheia de referências bíblicas e imagens misteriosas. Destaque para a participação da cantora lírica Maria Lúcia Godoy. Outro grande destaque é a canção título, "A Terceira Lâmina", que une o tom profético com a crítica social.

Mais Informações