Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band

Zélia Duncan

2005

Capa de Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band
Top 100

Porque Merece Estar na Lista

Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band, lançado em 2005, representa um marco na trajetória de Zélia Duncan, solidificando sua posição como uma das artistas mais corajosas e experimentais da MPB. O álbum desafia categorizações fáceis, navegando por diversas sonoridades e batendo de frente com modismos, conforme ironizado na faixa-título. Com sua voz potente e marca como letrista, Zélia expande a diversidade de trabalhos anteriores, entregando um repertório que, à primeira vista, pode parecer disperso, mas se revela coeso pela sua ousadia artística. A obra demonstra a maturidade de uma artista com 15 anos de carreira discográfica, capaz de explorar diferentes estilos com destreza e personalidade. O ecletismo e a heterogeneidade são características marcantes, refletindo tanto sua individualidade quanto as parcerias e a identidade das canções. Longe de se centrar apenas em questões pessoais e amorosas, as letras do álbum abrem-se para uma abrangência maior de temas, conferindo uma profundidade lírica notável.

Contexto

Em 2005, Zélia Duncan já havia consolidado uma carreira significativa, marcada por álbuns como Sortimento (2001) e Eu Me Transformo Em Outras (2004). Sua trajetória incluía participações em projetos importantes e uma constante busca por experimentação musical, que a levava a um patamar artístico onde podia transitar por diversas linguagens. A conexão da cantora com o universo de Itamar Assumpção, por exemplo, vinha de longa data, com Zélia inclusive almejando, no início de sua carreira, ser uma das Orquídeas que acompanhavam o músico paulista, o que culminaria em uma homenagem profunda neste álbum.

Gravação

Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band foi uma produção da Universal Music, com a direção artística de Max Pierre e gerência artística de Daniel Silveira. O álbum contou com a co-produção de Christian Oyens, Beto Villares e Bia Paes Leme, que dividiram as responsabilidades por diferentes blocos de faixas. As faixas 1 a 7 foram produzidas por Christian Oyens e gravadas no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, em março de 2005, por Álvaro Alencar. As faixas 8, 9 e 10 foram produzidas por Bia Paes Leme e gravadas no estúdio AR, também no Rio de Janeiro, em abril de 2005, por Fábio Henriques. Já as faixas 11, 12, 13, 14, 15 e 16 tiveram a produção de Beto Villares e foram gravadas nos Estúdios Mega, em São Paulo, de 7 a 16 de março de 2005, com engenharia de gravação de LC Varella. A mixagem geral do álbum foi realizada na Toca do Bandido, em abril de 2005, por Álvaro Alencar, e a masterização no Classic Master, por Carlos Freitas.

Músicas

Com 16 faixas e mais de 55 minutos de duração, o álbum é um mosaico de colaborações e composições que demonstram a versatilidade de Zélia Duncan. A faixa-título, uma parceria com Lenine, abre o disco ironizando os modismos contemporâneos com sua letra "Todo mundo quer ser bacana / Álbuns, fotos, dicas pro fim de semana". Um dos pontos altos do repertório é a homenagem a Itamar Assumpção, falecido em 2003, com a inclusão de quatro de suas canções: duas inéditas, "Vi, Não Vivi" (com música de Christiaan Oyens) e "Tudo ou Nada" (com letra de Alice Ruiz), e duas regravações de obras-primas, "Milágrimas" (também letrada por Alice Ruiz) e "Dor Elegante" (sobre poema de Paulo Leminski). Outras parcerias notáveis incluem "Carne e Osso" com Paulinho Moska, "Benditas" com Mart'nália, "Braços Cruzados" com Pedro Luís, "Eu Não Sou Eu" com Lucina, e "Quiser Eu" com Lulu Santos. As letras, em geral, demonstram uma maior abrangência temática, afastando-se de questões puramente pessoais e amorosas.

Legado

Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band foi recebido com reconhecimento da crítica e do público, solidificando a reputação de Zélia Duncan como uma artista de vanguarda e ousadia. A turnê do álbum, que se estendeu até 2008, percorreu o Brasil e também passou por Portugal, alcançando grande sucesso de público e crítica. A obra é citada como um trabalho que explora o ecletismo e a heterogeneidade da artista, tanto em sua personalidade quanto no estilo, nas parcerias e na identidade de suas canções. O álbum reafirmou a coragem artística de Zélia, sua voz potente e sua marca como letrista.

Ranking nas Listas

Faixas

Créditos

Direção Artística

Max Pierre

Arranjo

Bia Paes Leme

Arranjo, Baixo

Paulo Lepetit

Arranjo, Baixo, Effects, Teclados

Beto Villares

Arranjo, Flauta, Zabumba, Caixa, Reco-reco, Caxixi, Tamborim

Fábio Luna

Arranjo, Guitarra

Celso Fonseca, Webster Santos

Arranjo, Slide Guitar, Baixo, Programmed By, Glockenspiel, Bouzouki, 12-String Acoustic Guitar, Guitarra

Christiaan Oyens

Vocais

Anelis Assumpção

Baixo Acústico

Jorge Helder, Zeca Assumpção

Violão, Guitarra

Edson Guidetti

Saxofone Barítono, Flauta, Arranjo, Saxofone Alto

Leo Gandelman

Baixo

Ezio Filho, Marcelo Mariano, Matias Corrêa, Serginho Carvalho

Baixo, Baixo Acústico

André Rodrigues

Cavaquinho

Rodrigo Maranhão

Bateria

João Cortez, Pupillo, Serginho Machado

Guitarra

Fabrício Mattos, Lucas Martins, Walter Villaça

Harpa

Cristina Braga

Trompa

Rui Alvim

Teclados, Mellotron

Humberto Barros

Pedal Steel Guitar

Rick Ferreira

Piano

Cristóvão Bastos

Saxofone Tenor

Marcelo Bernardes

Violino

Nicolas Krassik

Referências

Livros