Um corpo no mundo
Luedji Luna
2017

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Why This Album Matters
Um Corpo no Mundo, o álbum de estreia de Luedji Luna lançado em 2017, é uma obra que se destaca pela sua profunda sensibilidade e pela fusão orgânica de ritmos. O disco transita entre a MPB, o jazz, o soul e as sonoridades africanas, incorporando elementos do congo, samba, reggae e o batuque baiano. Através de uma abordagem intimista, Luedji Luna cria um universo sonoro que explora temas essenciais como identidade, pertencimento, deslocamento e a rica herança afro-brasileira. A artista tece narrativas pessoais com uma espiritualidade que remete aos terreiros de Umbanda e diálogos com a música brasileira em sua forma mais pura, convidando o ouvinte a uma jornada reflexiva sobre o corpo negro no mundo.
Context
Antes do lançamento de Um Corpo no Mundo, Luedji Luna, nascida em Salvador, Bahia, já possuía uma trajetória musical e ativista. Ela aprimorou seus estudos na Escola Baiana de Canto Popular e foi cofundadora do Palavra Preta, uma mostra dedicada a compositoras e poetas negras de todo o Brasil. A sua mudança de Salvador para São Paulo foi um catalisador crucial para a concepção do álbum. A experiência de ser um corpo negro em diáspora em uma cidade como São Paulo, onde se deparou com a imigração africana e a questão do não pertencimento, inspirou diretamente as reflexões presentes no disco sobre identidade e ancestralidade.
Recording
O álbum Um Corpo no Mundo foi produzido por Sebastian Notini, músico sueco radicado na Bahia, conhecido por trabalhos com outros artistas baianos. Os arranjos foram construídos de forma coletiva, valorizando a contribuição de cada músico, o que resultou em uma sonoridade fluida e sem fronteiras. A banda de gravação incluiu músicos de diversas origens, como o queniano Kato Change (guitarras), o congolês-brasileiro François Muleka (violão), o cubano Aniel Somellian (baixo), o baiano Rudson Daniel (percussão) e o próprio Sebastian Notini (percussão), refletindo a diversidade cultural presente na obra. Inicialmente, o projeto foi viabilizado por meio de uma campanha de financiamento coletivo. Contudo, durante o processo, o álbum foi contemplado em primeiro lugar no Prêmio Afro 2017, o que efetivamente possibilitou sua gravação e finalização.
Songs
As canções de Um Corpo no Mundo são intrinsecamente ligadas às vivências e reflexões de Luedji Luna, abordando temas como a força da ancestralidade feminina, a solidão da mulher negra, o racismo e a busca por afeto e reconhecimento. A faixa-título, "Um Corpo no Mundo", por exemplo, expressa o sentimento de deslocamento da artista ao sair de Salvador e viver em São Paulo, com versos como "Eu sou a minha própria embarcação / Sou minha própria sorte" e a inserção do francês "Je suis ici" como um grito de resistência e afirmação de existência. Outras faixas notáveis incluem "Banho de Folhas", que se destaca pela sua forte espiritualidade e poesia cíclica que funciona como um mantra, com arranjos que incorporam guitarras africanas e tambores minuciosos. "Asas", composta em Salvador, é um diálogo da artista com as forças da natureza, enquanto "Eu Sou uma Árvore Bonita" utiliza a metáfora da árvore para discutir a reconstrução da autoestima após uma relação abusiva, contando com a participação da cantora moçambicana Lenna Bahule. A canção "Saudação Malungo", coescrita por seu pai, Orlando Santa Rita, faz uma importante referência à Revolução Haitiana, evidenciando a busca por histórias pouco contadas e a valorização da herança africana.
Legacy
Um Corpo no Mundo foi amplamente aclamado pela crítica, sendo reconhecido como um dos melhores álbuns de 2017 e da década. O impacto do disco foi tamanho que se tornou uma espécie de hino para uma geração preta, com suas mensagens de identidade e resistência ecoando fortemente. O sucesso comercial também se consolidou, com as faixas "Um Corpo no Mundo" e "Banho de Folhas" recebendo placas de ouro por mais de 100 milhões de plays nas plataformas digitais. Luedji Luna fez história ao se tornar a primeira artista negra independente a receber tal premiação da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente). O álbum foi agraciado com o Prêmio Afro em 2017 e Luedji Luna também foi uma das grandes vencedoras individuais do Prêmio da Música Brasileira.
Tracks
Credits
Sebastian Notini
Podcasts
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Analyses
Luedji Luna: Um Corpo No Mundo review - The Guardian
theguardian.com
Um Corpo No Mundo (A Body in the World) is a call for racial and gender respect, delivered with sultry insouciance to an airy samba melody and a simple backing of guitar, bass and percussion.
lucas reis's review of 'Um corpo no mundo' (2017) by Luedji Luna
record.club
Um corpo no mundo by Luedji Luna 5/5 stars Posted 20 days ago 97/100 Like review Like review Comment on review Go to release
Luedji Luna - Um Corpo no Mundo - Album of The Year
albumoftheyear.org
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Luedji Luna - Um Corpo No Mundo — album reviews — mjuziq
mjuziq.com
The album, much garlanded in Brazil, follows suit, celebrating an Afro-Brazilian heritage felt keenly via Luna's politically active parents (who gave her her African first name) and her northern hometown of Salvador de Bahia, Brazil's most "African" region. That legacy is most apparent on Banho de Folhas (Bathed in Leaves), with its soukous guitar, and in the conga-led Bahian rhythms ...
Crítica | Luedji Luna: "Um Corpo No Mundo" - Música Instantânea
musicainstantanea.com.br
Designed to be savoured slowly, without rushing, Um Corpo No Mundo (2017) gently charts the journey taken by singer and songwriter Luedji Luna throughout her debut solo album.
Discogs
Um corpo no mundo – Discogs
discogs.com